Irão
“Esta é a última batalha”. Iranianos protestam em Lisboa contra "regime brutal"
11 jan, 2026 - 15:45 • João Maldonado
Em frente à embaixada iraniana em Lisboa, exige-se a expulsão do diplomata em Portugal e pede-se mudanças no sistema político do país. Iranianos garantem não conseguir contactar familiares há quatro dias - fruto do bloqueio nas telecomunicações que o Irão atravessa.
É ao meio-dia que o protesto arranca. E vão surgindo cada vez mais pessoas nas duas horas que se sucedem. Pelas duas da tarde serão cerca de 100 aqueles que se juntam na zona do Restelo em protesto à frente da Embaixada da República Islâmica do Irão.
“Esta é a última batalha. O grande príncipe Pahlavi vai voltar. Queremos os aiatolas a sair do país.” Roham está em Portugal – um país onde percebeu os “direitos humanos” – desde 2012. Foi um terço do seu tempo de vida que é verticalizada neste momento: “Precisamos que fiquem do nosso lado, os iranianos não querem este regime brutal”, assegura.
Depois de Roham, falamos com Solmaz, professora de português língua não-materna numa escola da Grande Lisboa. Estudou em Lisboa e por cá vive há sete anos. Neste tempo de instabilidade maior na terra-natal apela à união da comunidade internacional. “O apoio do mundo é essencial, a pressão dos Governos é muito importante."
"Ninguém sabe como estão as nossas famílias"
Conta que a família no Irão cresceu – “agora somos 90 milhões” -, mas não consegue há quatro dias contactar com nenhum membro. “Ninguém sabe como estão as nossas famílias. Os iranianos estão a lutar por liberdade, por dignidade humana, por direitos humanos básicos e o Governo está a matar as pessoas", denuncia.
A preocupação, entoada em cânticos que exigem a expulsão do país do embaixador iraniano em Lisboa, é muita. “Cuida-te”, foi a última mensagem que Sina, músico de profissão, conseguiu que fosse entregue via internet ao irmão “que participava nas manifestações”. De lá para cá, sem telecomunicações ditadas pelo regime, nada mais sabe. Há três anos no país, deixa fortes elogios a Portugal, deixando, em entrevista à Renascença, um último grito de revolta: “Queremos viver em paz, sem uma ditadura religiosa que nos diga como temos de viver.”
“Libertem o Irão”, lê-se num dos cartazes. “Não” ao regime, vislumbra-se noutro. Entre bandeiras iranianas, e com a luxuosa rua onde se situa a embaixada cortada, tudo decorreu sem incidentes.
- Noticiário das 9h
- 10 jun, 2026
















