Ouvir
  • Noticiário das 2h
  • 10 fev, 2026
A+ / A-

Diretor executivo do SNS. "Portugal não é o único país europeu com excesso de mortalidade"

12 jan, 2026 - 13:46 • André Rodrigues

Diretor-executivo do SNS contraria dados que sugerem que Portugal é o único país europeu com excesso de mortalidade. Álvaro Santos Almeida diz que é cedo para determinar causas. Mas admite que os casos de gripe podem explicar o problema.

A+ / A-

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) assegura que Portugal “não é o único país europeu com excesso de mortalidade”.

Falando aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração da nova sede da DE-SNS, no Porto, Álvaro Santos Almeida comentou os dados revelados pelo jornal Expresso, que indicam que, no espaço de um mês, Portugal registou mais 2.600 mortes do que o esperado.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Admitindo que esse número possa estar relacionado “com a epidemia de gripe”, Santos Almeida lembra que “essas questões do excesso de mortalidade não se conseguem analisar em cima do momento, porque só se percebe o excesso de mortalidade, pela forma como esse excesso de mortalidade é calculado, depois, quando há dados mais completos”.

Perante a insistência nas perguntas dos jornalistas, o DE-SNS afirmou ser “prematuro estarmos a fazer análises”, mas foi perentório ao afirmar que Portugal “não é o único país na Europa em que isto acontece”.

Tempos de espera elevados são “casos pontuais”

Questionado, ainda, sobre a recorrência de tempos de espera elevados, muito acima do normal, em algumas unidades de saúde - sobretudo nas regiões de Lisboa e Peninsula de Setúbal – o DE-SNS atribui esse cenário ao aumento no acesso às urgências, por causa da gripe, mas assegura que “os tempos de espera médios nesta época de inverno estão nos 68,8 minutos, é o tempo mais baixo dos últimos quatro invernos”.

Corte cego nas contratações? “Vamos afetar recursos onde eles são mais necessários”

Já sobre as críticas, nomeadamente dos administradores hospitalares – que falam em “corte cego”, no contexto das orientações da própria DE-SNS para um limite máximo de 2,4% no crescimento de trabalhadores em todas as Unidades Locais de Saúde, Álvaro Santos Almeida rejeita essa ideia e explica que “o quadro global de referência aprovado pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério da Saúde determina o enquadramento em termos de recursos para o Serviço Nacional de Saúde. E nesse quadro global de referência está previsto um determinado orçamento de recursos humanos e está previsto uma determinada evolução desses recursos humanos que corresponde a um aumento de 2,4% no final de 2026 face ao final de 2024”.

Mas questionado sobre a eventual rigidez dos números, num quadro de maior necessidade de profissionais em vários hospitais, o DE-SNS clarifica que “dentro dessas orientações, que cumpriremos, iremos afetar os recursos onde eles são mais necessários. É exatamente o oposto de cortes cegos”.

Médicos alertam para outros fatores

Em declarações à Renascença, Bernardo Gomes, da Associação de Médicos da Saúde Pública, defende que a gripe e o frio justificam parte da mortalidade, mas há outros fatores a ter em conta

“Frio, uma estirpe de gripe que é nova, que tem potencial de infetar mais pessoas e, infetando mais pessoas, proporcionalmente contamos com números absolutos superiores de internamentos e de óbitos", começa por referir o especialista em Saúde Pública.

Bernardo Gomes admite que a falta de recursos de muitos idosos e a pobreza energética também podem contribuir para o excesso de mortalidade.

“Tem a ver com a questão do envelhecimento e da nossa estrutura social. Tivemos sinais de maior mortalidade inicial no Norte e no Centro, tradicionalmente mais frios, mas também com algumas circunstâncias habitacionais reconhecidas em termos de pobreza energética, temos vulnerabilidade social. E agora indo mais para Sul com algum impacto importante tendo em conta as mesmas premissas”, sublinha.

[notícia atualizada às 21h33 - com declarações do presidente da Associação de Médicos da Saúde Pública]

Ouvir
  • Noticiário das 2h
  • 10 fev, 2026
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+