12 jan, 2026 - 13:46 • André Rodrigues
O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) assegura que Portugal “não é o único país europeu com excesso de mortalidade”.
Falando aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração da nova sede da DE-SNS, no Porto, Álvaro Santos Almeida comentou os dados revelados pelo jornal Expresso, que indicam que, no espaço de um mês, Portugal registou mais 2.600 mortes do que o esperado.
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Admitindo que esse número possa estar relacionado “com a epidemia de gripe”, Santos Almeida lembra que “essas questões do excesso de mortalidade não se conseguem analisar em cima do momento, porque só se percebe o excesso de mortalidade, pela forma como esse excesso de mortalidade é calculado, depois, quando há dados mais completos”.
Perante a insistência nas perguntas dos jornalistas, o DE-SNS afirmou ser “prematuro estarmos a fazer análises”, mas foi perentório ao afirmar que Portugal “não é o único país na Europa em que isto acontece”.
Questionado, ainda, sobre a recorrência de tempos de espera elevados, muito acima do normal, em algumas unidades de saúde - sobretudo nas regiões de Lisboa e Peninsula de Setúbal – o DE-SNS atribui esse cenário ao aumento no acesso às urgências, por causa da gripe, mas assegura que “os tempos de espera médios nesta época de inverno estão nos 68,8 minutos, é o tempo mais baixo dos últimos quatro invernos”.
Saúde
Tempos de espera nas urgências em Portugal "são os(...)
Já sobre as críticas, nomeadamente dos administradores hospitalares – que falam em “corte cego”, no contexto das orientações da própria DE-SNS para um limite máximo de 2,4% no crescimento de trabalhadores em todas as Unidades Locais de Saúde, Álvaro Santos Almeida rejeita essa ideia e explica que “o quadro global de referência aprovado pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério da Saúde determina o enquadramento em termos de recursos para o Serviço Nacional de Saúde. E nesse quadro global de referência está previsto um determinado orçamento de recursos humanos e está previsto uma determinada evolução desses recursos humanos que corresponde a um aumento de 2,4% no final de 2026 face ao final de 2024”.
Mas questionado sobre a eventual rigidez dos números, num quadro de maior necessidade de profissionais em vários hospitais, o DE-SNS clarifica que “dentro dessas orientações, que cumpriremos, iremos afetar os recursos onde eles são mais necessários. É exatamente o oposto de cortes cegos”.
Em declarações à Renascença, Bernardo Gomes, da Associação de Médicos da Saúde Pública, defende que a gripe e o frio justificam parte da mortalidade, mas há outros fatores a ter em conta
“Frio, uma estirpe de gripe que é nova, que tem potencial de infetar mais pessoas e, infetando mais pessoas, proporcionalmente contamos com números absolutos superiores de internamentos e de óbitos", começa por referir o especialista em Saúde Pública.
Bernardo Gomes admite que a falta de recursos de muitos idosos e a pobreza energética também podem contribuir para o excesso de mortalidade.
“Tem a ver com a questão do envelhecimento e da nossa estrutura social. Tivemos sinais de maior mortalidade inicial no Norte e no Centro, tradicionalmente mais frios, mas também com algumas circunstâncias habitacionais reconhecidas em termos de pobreza energética, temos vulnerabilidade social. E agora indo mais para Sul com algum impacto importante tendo em conta as mesmas premissas”, sublinha.
[notícia atualizada às 21h33 - com declarações do presidente da Associação de Médicos da Saúde Pública]