Presidenciais
Comunidade Vida e Paz preocupada com a falta de atenção dos candidatos aos sem-abrigo
14 jan, 2026 - 16:33 • Ana Catarina André
A instituição que todos os dias apoia entre 450 e 500 pessoas nas ruas pede que os candidatos presidenciais deem “voz aos pobres” e lamenta que o tema esteja ausente da campanha.
A Comunidade Vida e Paz manifesta “profunda preocupação” por “nenhum" dos candidatos presidenciais ter revelado a sua posição em relação às pessoas em situação de sem-abrigo. Em comunicado, a organização convida os candidatos, “em especial os que passarem à segunda volta, a visitar a instituição” para se inteirarem da situação no país e conhecerem as medidas necessárias para minimizar o fenómeno.
À Renascença, Renata Alves, diretora-geral da Comunidade Vida e Paz, lembra que nos últimos anos tem havido um aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo. “Era muito importante que qualquer candidato à Presidência da República pudesse, de facto, preocupar-se com esta questão e, sobretudo, dar voz aos pobres”, sublinha a responsável.
“Por um lado, há as questões que originam a ida das pessoas para a rua e, por outro lado, o facto de as instituições necessitarem de recursos e da implementação de medidas para conseguirem diminuir o número de pessoas nestas condições”. E acrescenta: “Não são só as famílias que vão sofrendo com as consequências do aumento do custo de vida. As próprias instituições têm grandes dificuldades para continuar a dar resposta”.
Medidas não têm sido suficientes
Atualmente, a Comunidade Vida e Paz apoia 450 a 500 pessoas nas ruas da cidade de Lisboa. “Temos também mais de 300 pessoas em respostas de alojamento, umas em apartamentos partilhados, outras que estão a fazer o seu tratamento e a sua reabilitação no que diz respeito às adições.”
São dados, diz Renata Alves, que evidenciam um aumento do fenómeno. “Os números, por exemplo, que tivemos na festa de Natal provam isso. Tivemos um aumento na ordem dos 5% no que diz respeito às presenças.”
Há seis anos, no início de 2020, antes da pandemia, o número de pessoas que a Comunidade Vida e Paz acompanhava era inferior ao registado na atualidade. “A implementação de algumas medidas, não só suportadas pela Estratégia Nacional de Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo, mas também do próprio Plano Municipal, não tem sido suficiente para diminuir o número de pessoas nesta situação”, alerta.
Neste momento, diz Renata Alves, “há pessoas que estão na rua, porque não têm mesmo habitação, outras por problemas de saúde mental, por problemas de adições, por questões de destruturação familiar”. E acrescenta: “Há casais que estão na rua e vivem em parques de campismo ou em tendas e mantêm o seu trabalho, mas não conseguem ter um orçamento que lhes permita suportar uma renda”.
- Noticiário das 23h
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