Investigadora diz que "não há razão para alarme". Descoberta nova mutação do fungo "Candida Auris"
15 jan, 2026 - 07:02 • Jaime Dantas
A transmissão deste fungo faz-se "por contacto direto com superfícies contaminadas" e afeta pessoas com doenças graves associadas, revela a investigadora a investigadora Sofia Costa Oliveira à Renascença.
Uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) descobriu uma nova mutação do fungo "Candida Auris" que "nunca tinha sido descrita, em outros casos em todo o mundo", revela esta quinta-feira a investigadora Sofia Costa Oliveira à Renascença.
A responsável pelo estudo explica que o "Candida Auris" é um fungo hospitalar resistente "que foi identificado pela primeira vez em 2009, no ouvido de um doente, daí se chamar Auris, e que desde então vem adquirindo algum impacto a nível de infecções associadas a cuidados de saúde".
A transmissão deste fungo faz-se "por contacto direto, entre doentes, prestador de cuidados de saúde e doente, nomeadamente a cabeceira da cama do doente, a mesa de cabeceira do doente, os monitores de uma unidade de saúde, portanto contacto com superfícies contaminadas", não por via aérea, adianta Sofia Costa Oliveira.
O pico da presença deste fungo na Europa deu-se em 2023, altura em que são reportados os primeiros casos em Portugal , "cinco em doentes colonizados que tinham na pele Candida Auris, mas sem infecção, e três doentes com infecção invasiva por Candida Auris", conta a especialista.
"Esses três doentes, acabaram por desenvolver Candidemia, Candida Auris na corrente sanguínea, e acabaram por morrer. A morte não foi associada à infecção, porque esses doentes já tinham outras doenças de base bastante graves que contribuíram para que o desfecho fosse a morte", ressalva.
Uma vez que a doença se transmite através do do contacto com as superfícies, a investigadora da FMUP aponta que a melhor forma de previnir a propagação do fungo é "Higienizar superfícies e equipamentos".
"Não estamos alarmados com isto, mas estamos atentos. E é isso que tem que fazer, é prevenir e ter protocolos bem estabelecidos, que os temos para, em caso de casos positivos de candida auris, sabermos como controlá-los", diz.
Apesar de reconhecer que "os microorganismos, não só os fungos, mas também as bactérias, muitas vezes conseguem arranjar formas de contornar a ação de fármacos antimicrobianos", a investigadora ressalva que a descoberta da nova mutação do "Candida Auris" permitirá criar novos tratamentos que "conseguirão travar estas infecções, para os doentes não ficarem tão doentes e conseguirem recuperar", remata.
- Noticiário das 6h
- 11 jul, 2026







