16 jan, 2026 - 09:52 • André Rodrigues
"A ser verdade", o caso das alegadas agressões de agentes da PSP na esquadra do Rato, em Lisboa, é “gravíssimo”, diz à Renascença Hugo Costeira, especialista em segurança e antigo presidente do Observatório de Segurança Interna.
“E é tão mais grave que nós temos de perceber como é que estas duas pessoas conseguem chegar à polícia”, porque, acrescenta, “estes comportamentos não surgem do nada”.
“Os colegas nunca perceberam? As chefias nunca perceberam que havia dois elementos que não jogavam bem com o resto do baralho?”, interroga Costeira, defendendo que deveria haver mecanismos eficazes para identificar e travar comportamentos de risco antes de chegarem ao terreno.
Embora afaste a ideia de que o caso possa manchar globalmente a imagem das forças de segurança, Hugo Costeira mostra-se preocupado com o impacto deste e de outros casos.
Crime
Presidente da Associação de Profissionais de Políc(...)
Este especialista realça o “desapego crescente” dos cidadãos em relação às forças policiais e a dificuldade no recrutamento de agentes que, segundo diz, faz com que “as próprias forças de segurança tenham necessidade de baixar os níveis de exigência dos candidatos”.
No limite, conclui, “poderemos estar a recrutar pessoas que, de uma forma natural, jamais seriam polícias”,
Os dois agentes diretamente envolvidos nas alegadas agressões na esquadra do Rato encontram-se em prisão preventiva e a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um inquérito a outros polícias.
Numa resposta enviada por escrito à Renascença, a IGAI confirma que estão a decorrer três processos disciplinares que se encontram em fase de instrução e sujeitos a segredo.