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Esquadra no Rato

Tortura. “Tem muito a ver com ausência de chefias intermédias e recrutamento”, diz ASPP

16 jan, 2026 - 13:59 • Liliana Monteiro

Associação Sindical dos Profissionais de Polícia diz que, a confirmar-se, o caso deixa a polícia desconfortável e revela conduta inaceitável. Abertura de inquéritos deixa direção nacional atenta.

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Formação e falta de chefias intermédias pode explicar casos como o de tortura que terá acontecido numa esquadra em Lisboa. "Tem muito a ver com a realidade das más condutas, que não são justificáveis, a nenhum nível, e com um conjunto de variáveis, a ausência de chefias intermédias, chefes, etc…” Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), considera que o caso tornado público, e alvo de uma acusação do Ministério Público a dois agentes pelos crimes de tortura e violação na esquadra do Rato, em Lisboa, revela este e outros problemas.

"Falo também do processo de seleção e recrutamento. Esta é outra das variáveis que tem de ser colocada para melhor interpretação do que se passou, mas reitero: nada disto justifica um conjunto de condutas que não se adequam aquilo que é o serviço policial", diz o sindicalista à Renascença.

O caso deixa os polícias desconfortáveis, diz, embora considere que são casos isolados.

E acrescenta: "Olhamos para a notícia de uma forma desconfortável, temos de ser sinceros. Não concebemos que possam existir polícias com este tipo de comportamentos. Não refletem o que é a instituição PSP e a generalidade dos polícias.”

Lembrando, no entanto, que “deve respeitar-se até ao limite a presunção da inocência”, Paulo Santos refere que aguarda “que a justiça faça o seu papel e, perante factos provados e julgados, a polícia fique atenda à gravidade, se for provada, dos atos praticados".

A Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) tem em curso processos contra não só contra os policias acusados, como também contra um grupo de outros agentes. Paulo Santos considera isso importante para a descoberta da verdade.

"Creio que nestes episódios quanto mais esclarecida a situação for, mais abona a favor da polícia. Foi a própria instituição que denunciou e colaborou com o Ministério Público para tratar esta matéria. Isto revela o ADN da PSP, que não é corporativista, no sentido negativo, para manter estas situações, mas tem um papel positivo no combate a estes casos", defende.

Questionada sobre o número de queixas contra a atuação de agentes da PSP, a ASPP lembra que muitas queixas contra policias acabam em arquivamento. "Sabemos que, quando se trata de queixas contra polícias em funções, esses processos muitas vezes não comprovam o dolo por parte dos agentes".

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