17 jan, 2026 - 02:28 • Marisa Gonçalves
O presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP), Bruno Pereira, entende que o alegado caso de violação e tortura por parte de agentes da PSP, numa esquadra de Lisboa, envergonha a classe, depois de conhecida a acusação do Ministério Público.
Em declarações à Renascença, o presidente do SNOP reclama a colocação de chefias intermédias em muitas esquadras do país. Diz que a falta de chefes não ajuda ao acompanhamento do trabalho dos profissionais.
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“Indiscutivelmente, está em causa o facto de não haver um mapa plurianual de admissões à categoria de Chefe porque não sabemos a periodicidade com que vai abrir o próximo curso, não há previsibilidade. Apontemos apenas 2.100 que para um rácio de 20 mil polícias é manifestamente curto. Os chefes que nós temos são poucos e os oficiais atingiram, neste último ano, o número mais baixo de sempre. A concorrência destas duas dimensões negativas, naturalmente, acarretará uma deficiência do ponto de vista de acompanhamento e monitorização dos mais jovens”, afirma.
Além disso, Bruno Pereira apela a uma melhoria do processo de recrutamento.
“Todo e qualquer processo de recrutamento e seleção é falível, não é? Por muito que ele seja rigoroso e o nosso também o é. É verdade que temos cada vez menos candidato, portanto, o universo potencial de candidatos em termos de qualidade baixa, naturalmente. Todo o processo de acompanhamento por parte dos formadores e a supervisão que é exercida durante o curso, quer depois, quando a supervisão que é exercida pelas lideranças intermédias e superiores que estão cada vez mais deficitárias do ponto vista numérico, tudo isto no seu conjunto, naturalmente, precipita a possibilidade, que não deve acontecer, de não haver a tal monitorização e acompanhamento devidos.”
O presidente do SNOP acredita que as acusações de tortura na esquadra do Rato, em Lisboa, tratam-se de um caso isolado e defende o apuramento da verdade dos factos.
“A Polícia não pode deixar de perseguir o estabelecimento da justa responsabilidade de quem comete este tipo de crimes, com o desvalor qualificado que têm por serem polícias. Perante os indícios recolhidos espero que sejam severamente punidos. Não podemos compactuar com este tipo de comportamentos por parte de quem jurou proteger a Constituição e prestou um juramente que é para cumprir”, sublinha.
Dois agentes da PSP do Largo do Rato, em Lisboa, estão acusados de tortura, violação e ofensas à integridade física, sendo que as vítimas eram pessoas vulneráveis.
Além dos dois agentes acusados, o processo conta ainda com um terceiro arguido que não foi formalmente acusado.