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Ensino Superior

Fraude com IA: "Alunos apresentam textos que claramente não são da sua autoria"

19 jan, 2026 - 20:20 • João Maldonado

Professor universitário entrevistado pela Renascença denuncia práticas fraudulentas, registando-se "um fosso entre a qualidade na sala de aula" e os trabalhos académicos que entregam. Manifesto pede reflexão sobre novas tecnologias e mais formação para os docentes.

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Dezenas de professores já assinaram um manifesto contra o que chamam o uso desregulado de Inteligência Artificial no Ensino. Entendem que é preciso uma pausa para refletir sobre a utilização destas tecnologias pelo bem da aprendizagem.

Entrevistado pela Renascença, André Carmo, docente na Universidade de Évora, denuncia "um fosso entre a qualidade ou a competência no registo oral, em sala de aula, para o desempenho escrito, em que apresentam textos que claramente não são da sua autoria" - e com "uma parecença extraordinária" entre si.

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"A utilização generalizada, absolutamente desregulada, torna virtualmente impossível a deteção de processos fraudulentos", sublinha André Carmo, um dos obreiros deste manifesto, apelando ainda a que a travagem no uso destas tecnologias dê espaço à formação de profissionais capacitados: "Só dessa forma é que podem estar aptos e em condições para poderem fazer um uso de Inteligência Artificial em contexto de sala de aula, com os seus estudantes, alertando para os problemas do ponto de vista da fraude e da integridade".

Para o professor da área da Geografia, os docentes não estão neste momento capacitados para lidar com esta realidade que entrou ensino adentro.

"Os professores do Ensino Superior são especialistas do ponto de vista disciplinar e científico nas diferentes áreas em que se especializam, agora pede-se - exige-se até - de forma bastante acelerada que os mesmos rapidamente se convertam em especialistas em Inteligência Artificial." É preciso tempo para "refletir", termina.

Um estudo da OCDE revela que a Inteligência Artificial pode estar a causar um fenómeno de "preguiça metacognitiva" nos estudantes: uma preferência por respostas rápidas e diretas em relação a raciocínios mais demorados. A recomendação é, por isso, para um uso cauteloso destas tecnologias no Ensino, sempre como apoio à aprendizagem e nunca como um atalho para ter resultados melhores a curto prazo.
Por cá, o ministro da Educação disse esta segunda-feira que a Inteligência Artificial não pode ser ignorada e que as escolas têm de se adaptar a esta nova realidade - o que poderá ser feito através da formação de professores e da alteração dos métodos de Ensino. Fernando Alexandre acredita que com as estratégias adequadas, os riscos podem ser minimizados e os benefícios maximizados.
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