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Energia

Apagão. DGEG garante que sistema elétrico é estável e sem debilidades estruturais

21 jan, 2026 - 16:31 • Lusa

Segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia, o apagão a 28 de abril não revelou fragilidades estruturais. "Não foi ciberataque, não foi terrorismo, não foi nocivo."

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O diretor-geral da DGEG afirmou esta quarta-feira no parlamento que o sistema elétrico nacional "é estável" e "não tem nenhuma debilidade estrutural", defendendo que o apagão de 28 de abril funcionou como um teste real às capacidades do sistema.

Na audição no Grupo de Trabalho sobre o apagão, Paulo Carmona disse que "a estabilidade do sistema existe" e que o incidente não revelou fragilidades estruturais, mas antes a necessidade de complementar o sistema com novos instrumentos de gestão, num contexto de elevada penetração de energias renováveis.

"O sistema é estável, não há nenhuma debilidade do sistema. Temos é de o complementar com outras funções", afirmou.

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Segundo o responsável, o colapso não esteve relacionado com falhas de cibersegurança, terrorismo ou atos maliciosos, nem provocou danos relevantes nas redes de transporte ou vítimas. "Não foi ciberataque, não foi terrorismo, não foi nocivo", disse, considerando que o apagão foi "um bom teste" às respostas de emergência.

Paulo Carmona destacou que Portugal conseguiu reiniciar o sistema elétrico de forma autónoma, através de mecanismos de "black start" - sistemas que permitem arrancar centrais elétricas sem apoio da rede externa após um colapso total - embora com apoio de França para acelerar o processo.

"Nós conseguimos reiniciar isto sozinhos", afirmou, acrescentando que essa capacidade dá "um fator de confiança" ao sistema nacional.

Apesar da natureza inédita do colapso, a restauração da rede foi rápida, com Portugal a recuperar totalmente a ligação de alta tensão pouco depois da meia-noite e Espanha às 04h00 do dia seguinte.

O diretor-geral da DGEG sublinhou ainda que Portugal operou durante cerca de um mês e meio "praticamente em autarcia", vivendo apenas com recursos próprios, o que permitiu comprovar que o sistema é também autossuficiente em termos de segurança energética.

Entre as medidas em curso para reforçar a estabilidade estão o alargamento dos serviços de "black start", com a entrada em funcionamento do sistema em mais duas centrais, investimentos de 137 milhões de euros em recursos de controlo de tensão e o lançamento de um mercado de serviços de sistema de emergência com base em baterias.

Segundo Paulo Carmona, as baterias são "complementares e essenciais" para a transição energética, por permitirem introduzir inércia no sistema e compensar a variabilidade da produção renovável.

"O problema não foi das renováveis nem da intermitência, foi um problema de extensão do sistema", afirmou, defendendo uma melhor capacidade de gestão e armazenamento de energia.

O responsável indicou ainda que o nível de risco aceitável do sistema elétrico é uma decisão política. "Se quisermos segurança a 100%, isso custa muito dinheiro", disse, sublinhando que essa escolha cabe aos decisores políticos e não aos técnicos.

O grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) apontou como causa mais provável um aumento de tensão em cascata - observados no sul de Espanha na fase final do incidente - seguido de desligamentos súbitos de produção, sobretudo renovável, que conduziram à separação elétrica da Península Ibérica em relação ao sistema continental, com perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão.

O relatório final sobre o apagão elétrico será publicado neste primeiro trimestre de 2026.

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