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Técnicos de emergência pré-hospitalar criticam entrega de formação a privados

22 jan, 2026 - 01:33 • Marisa Gonçalves , Anabela Góis

Sindicato do setor receia uma redução da qualidade das formações e teme pela segurança dos cuidados de emergência médica aos cidadãos.

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O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, diz-se “incrédulo” com a redefinição do modelo de formação no INEM que vai permitir entregar, a entidades privadas, o processo formativo das diferentes áreas do socorro em emergência médica e retirando do processo as escolas médicas.

“Transparece um benefício claro para as empresas que atualmente estão aptas a dar formação em emergência médica, não só para o INEM, mas também para os parceiros, bombeiros da Cruz Vermelha, sendo que a que está mais bem posicionada e a que está hoje certificada pelo próprio INEM para dar todos os conteúdos que passaram agora para o foro privado, é curiosamente uma empresa que foi o atual presidente INEM que fundou. Sem querer levantar suspeitas, esperemos que as entidades competentes façam a análise destes fatos”, aponta à Renascença.

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O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar entende que todo o processo precisa de uma maior clarificação.

Por outro lado, Rui Lázaro diz recear que possa ficar em causa a prestação do socorro à população por antever uma menor qualidade das formações.

“Inclusive, suspendendo todas as certificações a novas empresas, ficam as atuais com o bolo completo da formação em emergência médica, que inclui também profissionais do INEM. Pois bem, isto é uma clara diminuição da qualidade da formação, sem o controle do INEM, abandonando a academia que é onde existe todo o conhecimento pedagógico e científico para ministrar formação com este nível de exigência. Preocupa-nos bastante o nível da formação que possa vir a ser ministrada nestes moldes e também a segurança dos cuidados de emergência médica que venham a ser prestados, no futuro, aos cidadãos”, declara.

Diz ainda Rui Lázaro que o anúncio conhecido, esta quarta-feira, surge em oposição às promessas da ministra da Saúde.

“Retirar a formação dos Técnicos de Emergência pré-hospitalar da academia, vem contrariar o que a ministra já anunciou duas vezes na Assembleia da República. Que a formação dos Técnicos de Emergência pré-hospitalar passasse para instituições de Ensino Superior”, refere.

A direção do STEPH tem reunião agendada com a titular da pasta da Saúde, Ana Paula Martins, para o dia 23 e garante que vai pedir explicações à governante.

“Iremos falar sobre o nosso processo negocial, mas não vamos deixar de perguntar se tinha conhecimento destas alterações que o INEM tenciona fazer e se se revê nelas, uma vez que contrariam aquilo que disse na Assembleia da República”, adianta.

Ouvido esta quarta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, o presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica, Paulo Paço, considerou também “um risco” o facto de o INEM decidir entregar a formação nas diferentes áreas do socorro em emergência médica a entidades privadas.

A deliberação, com efeitos imediato, concentra na Escola Nacional de Bombeiros a formação para tripulantes de ambulância e suporte de vida.

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