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Cheias: APA alerta para aumento dos caudais e pede precaução à população
26 jan, 2026 - 13:56 • Olímpia Mairos , Hugo Monteiro , Redação com Lusa
Águeda é a zona mais vulnerável, mas o risco de cheias estende-se desde o rio Minho até ao centro do país.
Depois da neve dos últimos dias, Portugal continental enfrenta agora um risco acrescido de cheias e inundações. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) pede à população que esteja atenta aos alertas da Proteção Civil, numa altura em que vários rios apresentam caudais elevados.
A situação mais complexa regista-se em Águeda, mas o risco de cheias estende-se desde o rio Minho até ao centro do país, segundo o presidente da APA, José Pimenta Machado.
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Em declarações à Renascença, o responsável explica que uma nova frente de precipitação já está a afetar o Norte e deverá deslocar-se gradualmente para Sul, fazendo aumentar os caudais de vários rios.
“O Minho está a aumentar os caudais, quer no Minho, quer no Lima, quer no Cávado, e esta frente vai agora deslocar-se para o Sul, para o Douro, Tâmega, Vouga e Mondego, e também para o Tejo”, afirma.
A APA acompanha com especial atenção várias zonas ribeirinhas, nomeadamente no Minho e no Tâmega, mas é no centro do país que a preocupação é maior.
“A zona neste momento mais vulnerável, mais preocupante, é Águeda, e também o Mondego. Hoje, ao final do dia, será a zona mais sensível, hoje e amanhã”, sublinha José Pimenta Machado.
A agência garante estar a monitorizar permanentemente os caudais dos rios e a gerir as albufeiras das diferentes barragens. O presidente da APA explica que os valores elevados resultam da sucessão de frentes de chuva e do degelo da neve acumulada nos últimos dias.
“Os solos estão saturados. Qualquer chuva transforma-se em escoamento, mais água para os rios e ribeiras. A isso junta-se o degelo nas zonas de montanha, com a neve dos últimos dias a transformar-se agora em água”, explica.
Cargueiro à deriva na Figueira da Foz
Sem comando, sem leme e à deriva, um cargueiro está à deriva à saída da barra da Figueira da Foz e corria o risco de naufragar depois de ter perdido o leme, alegadamente por ter batido no fundo devido à acumulação de areias, disse fonte portuária.
Cargueiro à deriva junto à Figueira da Foz vai ser rebocado para sul
Operação está a ser dificultada pelo agravamento d(...)
A operação, no entanto, está a ser dificultada pelo agravamento do estado do mar, adiantam as autoridades marítimas.
Em declarações à agência Lusa, Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, explicava que o cargueiro estava a navegar só para se segurar, de marcha a ré, enquanto esperava por rebocadores que terão de se deslocar do porto de Leixões por não existirem na Figueira da Foz ou em Aveiro.
Já nas zonas ribeirinhas do Porto e da Régua, a Capitania do Porto do Douro admitiu a possibilidade de ocorrência de cheias nas próximas horas.
Em entrevista à Renascença, o comandante Pedro Cervaens alertou que, no Porto, áreas como a Ribeira e Miragaia — por serem zonas particularmente baixas — são naturalmente as primeiras a ser afetadas pela subida do nível do rio Douro.
Capitania do Douro alerta para risco de cheias nas zonas ribeirinhas do Porto e da Régua
Subida do caudal do rio, causada pela chuva e pelo(...)
“É uma questão de ir monitorizando a situação”, sublinhou o comandante, apontando como períodos mais sensíveis os picos das marés, previstos para cerca das 8h00 e das 20h00 desta terça-feira.
Rio Este, em Braga, galga margens e inunda habitação
A água do rio Este galgou esta segunda-feira as margens em Braga e atingiu uma habitação na Rua dos Barbosas, uma situação "recorrente" sempre que chove com mais intensidade, disse o vice-presidente da câmara.
Segundo Altino Bessa, em causa está uma habitação situada "praticamente ao nível do caudal do rio".
"É uma situação recorrente, que resulta de um problema estrutural, pouco ou nada havendo a fazer", acrescentou.
Ainda de acordo com o autarca, a água chega normalmente ao rés-do-chão da habitação, que por isso mesmo "estará devoluto".
Altino Bessa disse ainda que na Rua Amélia Bastos Leite, outro ponto igualmente crítico em dias de chuva intensa, duas viaturas ficaram alagadas.
Saiba as recomendações da Agência Portuguesa do Ambiente
Face a estes cenários de cheias, a APA apela à adoção de comportamentos preventivos.
“Estamos a acompanhar a situação em grande articulação com a Proteção Civil e com os municípios. A recomendação é que a população esteja atenta aos alertas da Proteção Civil. Haverá necessidade, seguramente, de tomar medidas de precaução”, reforça.
José Pimenta Machado adianta que a evolução da situação continuará a ser avaliada nas próximas horas, em função da precipitação associada à passagem da depressão Joseph por Portugal continental. A chuva intensa pode agravar a situação em zonas ribeirinhas, como no Porto e em Vila Nova de Gaia.
“Ao final do dia faremos essa avaliação e, na terça-feira de manhã, teremos já uma reunião marcada para ir ponderando e avaliando, fazendo os alertas em função da evolução da situação”, adianta.
Desde as 0h de domingo até às 15h desta segunda-feira, a Proteção Civil registou cerca de 370 ocorrências, a maioria relacionadas com inundações e deslizamentos de terras. Os distritos de Coimbra e Leiria foram os mais afetados.
"Há algumas vias que se encontram interditadas ao trânsito, estamos a falar sobretudo de estradas municipais e estradas nacionais", referiu Pedro Araújo, oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, indicando que esses constrangimentos afetam, particularmente, a região de Lisboa e Vale do Tejo, o litoral alentejano, a Lezíria e o Médio Tejo.
A interdição tem a ver com o facto de as estradas terem ficado submersas, "atendendo a que os níveis de água em algumas ribeiras e rios atingiram estas vias"
Em Vila Nova de Cerveira, o trânsito na EN13 está condicionado devido a trabalhos para desviar um lençol de água. Fonte da GNR disse à Lusa que se tratam de operações de abertura de uma vala para drenar um lençol de água.
[Notícia atualizada às 18h01 para acrescentar ocorrências mais recentes]
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