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Coligação de ambientalistas condena declarações sobre ICNF de ministro da Agricultura

26 jan, 2026 - 17:19 • Lusa

"O ICNF não existe para legitimar decisões políticas previamente tomadas nem para acomodar interesses setoriais de curto prazo", condenaram esta segunda-feira sete organizações ambientalistas as declarações do ministro da Agricultura sobre ICNF.

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Sete organizações ambientalistas condenaram esta segunda-feira as declarações do ministro da Agricultura sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), considerando-as uma abordagem "incompatível com o Estado de Direito democrático".

"O ICNF não existe para legitimar decisões políticas previamente tomadas nem para acomodar interesses setoriais de curto prazo", criticaram a WWF Portugal, Fapas, Geota, LPN, Quercus, Spea e Zero.

"Existe para cumprir e fazer cumprir a lei, avaliar impactes ambientais com base no melhor conhecimento científico disponível e salvaguardar bens públicos essenciais - nomeadamente a biodiversidade e outros valores naturais - que pertencem a toda a sociedade e cujo comprometimento afeta o bem-estar, a segurança e o futuro das próximas gerações", dizem em comunicado.

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Em causa está um vídeo enviado na sexta-feira por José Manuel Fernandes a dirigentes do ICNF, que participavam numa reunião com a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, na qual agradeceu o "trabalho de qualidade" do instituto e pediu aos dirigentes para serem proativos.

"Por vezes a resposta é que não se pode fazer porque a legislação não o permite. E a pergunta que se deve fazer é: mas a legislação devia permitir? E se a legislação devia permitir o que nós devemos fazer é alterar essa legislação, que às vezes é uma simples portaria, outras vezes é um decreto-lei, mas outras vezes é uma diretiva ou um regulamento, que também se pode alterar", disse depois.

Num comentário divulgado esta segunda-feira pelas sete organizações, parte delas já se manifestou individualmente, manifestam a necessidade de "salvaguardar a independência técnica, científica e institucional do ICNF".

"Rejeitamos qualquer tentativa de instrumentalização política de uma entidade cuja missão é servir o interesse público e proteger o património natural do país. Defendemos, por isso, que o ICNF deve voltar a ter tutela única do atual Ministério do Ambiente e Energia, assegurando coerência política, transparência institucional e alinhamento com os objetivos nacionais e europeus de conservação da natureza e da biodiversidade", defendem.

As organizações exigem também uma clarificação pública, por parte do Governo, quanto ao futuro do ICNF e ao seu papel central na conservação da natureza.

Para a coordenadora de Políticas da WWF Portugal, Bianca Mattos, manifestou "profunda preocupação e indignação pelas declarações" que "procuram subverter a missão do ICNF de proteger o património natural nacional" e "configuram uma violação do Estado de Direito por pedirem a um organismo público que não cumpra a lei".

Em particular, a organização ambientalista WWF Portugal considerou gravíssimas as declarações do ministro da Agricultura sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pediu uma "posição clara" do primeiro-ministro.

As declarações de José Manuel Fernandes, apontam as organizações no comunicado, inserem-se num contexto mais amplo em que têm sido levantadas dúvidas sobre o futuro do ICNF.

E lembram que Portugal assumiu compromissos em matéria de conservação da natureza, na nível nacional e internacional, nomeadamente junto da União Europeia, e que fragilizar ou condicionar o ICNF "compromete diretamente a capacidade do país honrar esses compromissos e expõe Portugal a riscos legais, financeiros e reputacionais".

Afirmando que a ministra do Ambiente também já manifestou dúvidas quanto ao futuro do ICNF, as sete organizações destacam que tal acontece quando a entidade está a liderar o grupo de trabalho responsável pelo Plano Nacional de Restauro da Natureza, que "deve assentar exclusivamente em critérios científicos, técnicos e legais".

"Em circunstância alguma um organismo como o ICNF pode ser condicionado por pressões políticas ou por interesses alheios à sua missão", diz-se no comunicado, subscrito pelas organizações.

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