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"10 minutos de pesadelo". Tempestade levantou memórias do passado na Figueira da Foz

29 jan, 2026 - 15:28 • Jaime Dantas

A tempestade Kristin provocou fortes estragos na Figueira da Foz, bem visíveis na manhã desta quinta-feira. Os estragos fazem recordar a passagem da depressão Leslie, há oito anos.

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"10 minutos de pesadelo". Tempestade Kristin levantou memórias do passado na Figueira da Foz
A paisagem da Figueira da Foz deixou de contar com a icónica roda gigante plantada em cima da praia da cidade. Foto: Jaime Dantas/RR

A população descreve-a como "10 minutos de pesadelo" que deixam lições para o futuro. Na Figueira da Foz, a tempestade Kristin arrancou telhados, fez tombar sinalização rodoviária, postes de iluminação, árvores, e até a roda gigante que era imagem de marca da paisagem do destino de verão de tantos portugueses.

No dia a seguir à tormenta, o rasto de destruição permanece em cada canto. O som dos passos na calçada portuguesa é trocado pelo calcar dos vidros das janelas que rebentaram devido à força do vento, ou das telhas que foram pelos ares.

Este dia é de regresso à normalidade, com a Proteção Civil a minimizar os estragos, e com Hospital Distrital da Figueira da Foz a confirmar à Renascença que todas as consultas e cirurgias programadas serão realizadas, apesar dos constrangimentos. "É a normalidade possível", dizia uma fonte do Hospital, que ressaltava que os ares condicionados continuam avariados, e no lugar das janelas foram colocados painéis de madeira.

No mercado da Figueira da Foz, não foram muitos os estragos, mas a rede elétrica continua a falhar de vez em quando. Os poucos comerciantes que abriram a banca nesta quinta-feira só pensam nos estragos que deixaram para trás, nas suas casas.

"Tenho uma vizinha que tem sobreiros e eles arrancaram-se todos, partiram-me uma vedação que eu tinha feito, e que me custou à volta de três mil euros. Nós não temos nem luz, nem internet, não temos nada", conta Maria de Fátima, proprietária de uma banca no mercado.

Maria de Fátima é comerciante no mercado da Figueira da Foz. Foto: Jaime Dantas/RR
Maria de Fátima é comerciante no mercado da Figueira da Foz. Foto: Jaime Dantas/RR
Nos passeios permanece o rasto de destruição deixado pela tempestade Kristin na Figueira da Foz. Foto: Jaime Dantas/RR
Nos passeios permanece o rasto de destruição deixado pela tempestade Kristin na Figueira da Foz. Foto: Jaime Dantas/RR
Roda gigante da Figueira tombou devido ao vento forte. Foto: Jaime Dantas/RR
Roda gigante da Figueira tombou devido ao vento forte. Foto: Jaime Dantas/RR
No lugar da janelas foram colocados painéis de madeira. Foto: Jaime Dantas/RR
No lugar da janelas foram colocados painéis de madeira. Foto: Jaime Dantas/RR
Ainda persistem problemas no fornecimento de água. Foto: Jaime Dantas/RR
Ainda persistem problemas no fornecimento de água. Foto: Jaime Dantas/RR
Várias árvores tombaram e provocaram estragos em infraestruturas. Foto: Jaime Dantas/RR
Várias árvores tombaram e provocaram estragos em infraestruturas. Foto: Jaime Dantas/RR

É, no entanto, de recordar que não é a primeira vez que o vento passa e leva tudo que lhe aparece à frente. Na quarta-feira foi a Kristin, mas em 2018 foi a Leslie a destruir. E, segundo recorda à Renascença Fábio Rocha, que trabalha num café mesmo em cima da praia, os estragos foram maiores no passado.

"Há oito anos atrás foi muito pior, eu acho, mas mesmo assim há sempre estragos. Eu saí ontem daqui do trabalho e passei ali ao pé da antiga universidade, estava tudo, partido, estava mal", relata.

Todas as pessoas que falaram à Renascença - muitas delas longe do microfone - recordavam a tragédia de há quase uma década. Uma delas, Suzana Mora, antiga bombeira e mulher de um agente de segurança, profissões que diz darem uma maior noção dos perigos da natureza. Foi por ter essa noção que assumiu precauções para preparar o que estava por vir, e lamenta que "falte uma cultura de prevenção" no resto da população.

"Nós não estávamos capacitados nem mentalizados para tomar precauções como pôr tapumes nas janelas, verificar como é que está a situação dos nossos telhados, que materiais é que estamos a usar", defende.

"Não conseguimos controlar a força do vento, mas podemos preparar-nos para quando ela vier", apontava Marisa, pedindo que a depressão Kristin sirva de lição para o futuro.

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