Tempestade Kristin
António Nunes. "Portugal não está preparado" para fenómenos meteorológicos extremos
29 jan, 2026 - 10:51 • André Rodrigues
Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses diz que o país até pode estar preparado para incêndios e sismos. Mas não para fenómenos como a tempestade Kristin. Já o vice-presidente da Asprocivil diz que "não há país nenhum, nem há situação nenhuma que esteja 100% acautelada".
Portugal "não está preparado", nem "suficientemente resiliente” para enfrentar tempestades como as que devastaram a região centro, alerta na Renascença o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
“Fala-se muito do risco de incêndios florestais, de um eventual sismo como o de 1755, fala-se em cheias, mas o nosso país vai ser abrangido por outro tipo de fenómenos como aquele que assistimos e verificamos que na área das infraestruturas - distribuição de eletricidade, vigilância sobre a vegetação ou a forma como se colocam os telhados – tudo isso é feito com base no passado, não numa perspetiva de estarmos perante um território que está a ter uma presença cada vez mais contínua de fenómenos meteorológicos adversos de forte intensidade”, sublinha António Nunes.
Questionado sobre a eventualidade de uma declaração do estado de calamidade, reclamada por vários autarcas, o presidente da Liga dos Bombeiros considera que “a Lei de Bases da Proteção Civil deve ser cumprida”, mas admite que “a Proteção Civil poderia ter convocado a Comissão Nacional de Proteção Civil e, na presença da ministra da Administração Interna, ou do primeiro-ministro, avaliar se haveria condições para fazer essa declaração”.
António Nunes evita responder se terá havido uma falha estratégica por parte da Proteção Civil, mas “face a esta situação, em que houve mais que um distrito afetado, seria recomendável que se ponderasse essa reunião”.
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Já o vice-presidente da Associação dos Técnicos de Proteção Civil (Asprocivil) lembra que “não há país nenhum, nem há situação nenhuma que esteja 100% acautelada”, porque “nunca sabemos a dimensão exata do problema”.
“É difícil que a natureza destrua o que destruiu e que consigamos evitar essa destruição”, acrescenta.
“Obviamente!”. Operadoras móveis devem custear reforço das redes
Já sobre a mitigação das falhas nas telecomunicações, resultantes do derrube de antenas das redes móveis, o vice-presidente da Asprocivil defende que, “obviamente”, cabe às operadoras investir e suportar a maior parte do custo associado ao reforço das antenas de retransmissão.



Tendo em conta que a tendência para o futuro é a recorrência de fenómenos meteorológicos extremos com potencial para danificar este tipo de infraestrutura, Jorge Silva diz ser necessário perceber qual a melhor relação entre o custo e o benefício.
“Se entendermos que é aceitável aumentar para o triplo o custo das telecomunicações, num país como o nosso – em que os ordenados são baixos – é uma consideração que se deve fazer”, no entanto, prossegue, “neste momento, temos de repor a normalidade e tentar fazer com que os custos sejam suportados um bocado pelas operadoras e que se mantenham os preços baixos, para que o custo de vida das populações consiga ser dentro daquilo que é a normalidade”.
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