Emergência Médica
Morte no Seixal: "Este caso não é o espelho do INEM
03 fev, 2026 - 17:29 • Lusa
O presidente do INEM ouvido no Parlamento. Luís Mendes Cabral defende que o novo modelo de triagem “emitiu evitar mais mortes.
O presidente do INEM admitiu esta terça-feira que a emergência pré-hospitalar apresenta falhas, mas defendeu que o caso do homem que morreu no Seixal à espera de socorro "não é o espelho" do serviço prestado pelo instituto.
"Este caso não é o espelho do INEM. O espelho do INEM são as 4.500 chamadas que atendemos todos os dias e as 4.500 pessoas que salvamos diariamente", afirmou Luís Mendes Cabral na comissão parlamentar de Saúde, onde está a ser ouvido a pedido do PS e do Chega.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Os dois grupos parlamentares pediram a audição do responsável do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), na sequência da morte de um homem de 78 anos no início de janeiro no Seixal, depois de ter aguardado cerca de três horas pelo socorro.
Segundo Luís Mendes Cabral, como se trata de um sistema "feito por pessoas e para pessoas", existem falhas que "acabam todas na comunicação social", alegando que "são os próprios funcionários do INEM que acabam por tirar fotografias aos écrans dos computadores", enviando-as para os jornalistas.
O presidente do instituto salientou ainda que os trabalhadores do INEM "estão todos os dias na linha da frente a tentar dar o seu melhor" no socorro às populações, adiantando que no início de janeiro se verificou um pico de infeções respiratórias no país, que representou a subida de uma média diária de 4.500 chamadas para mais de 5.500.
"Obviamente, mais mil chamadas implica um esforço adicional de recursos humanos nos centros de atendimento, mas também de ambulâncias na rua para poderem dar o devido socorro", referiu Luís Mendes Cabral, reconhecendo que isso não foi inesperado para o INEM.
Segundo Mendes Cabral, tratou-se de "dias de exceção" que não foram só para o INEM, mas também para as urgências hospitalares no país, que tiveram uma procura significativa, o que levou a que fosse pedido à Liga dos Bombeiros um reforço de ambulâncias disponíveis na margem sul.
"Todas as ambulâncias que estavam disponíveis na margem sul pela Liga dos Bombeiros foram por mim contratualizadas. Não houve um minuto, um segundo de dúvida relativamente à necessidade daquelas ambulâncias e à sua contratualização", assegurou.
Depois de salientar o INEM lamentava a morte ocorrida, Luís Mendes Cabral referiu que, neste caso, foi feito o atendimento correto das chamadas e a ativação dos meios, mas "não tinha as ambulâncias necessárias para poder fazer o socorro".
Novo modelo de triagem terá evitado mais mortes
Aos deputados, o presidente do instituto afirmou ainda que a "missão de refundação" do INEM se justifica porque foram identificadas falhas significativas estruturais e funcionais, "que não são de agora, mas de vários anos e que precisam de ser corrigidas".
Luís Mendes Cabral considera que o novo modelo de triagem, entretanto implementado, “terá salvaguardado” o socorro nos “períodos de maior pico”, defendendo que a diferenciação entre prioridades permitiu evitar mais mortes.
O novo sistema de triagem, em vigor desde janeiro, permitiu distinguir verdadeiras emergências de situações menos graves, considerando que o modelo anterior classificava “mais de 80% das ocorrências” como P3, um “único grupo genérico (…) sem qualquer outra diferenciação de meios”.
“Ter-nos-á salvaguardado naqueles períodos de maior pico. Esta resposta é precisa principalmente nas situações de maior pico. Nós sabemos que, enquanto estamos pelas 4.500 chamadas diárias nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), conseguimos dar uma resposta muito rápida e cabal àquilo que são as solicitações”, disse o responsável.
Refundação do INEM impossível sem sobressaltos
O presidente do INEM admitiu que a refundação do instituto vai implicar “alguns sobressaltos”, alegando que a sua orgânica se manteve praticamente inalterada desde a fundação em 1981.
“Esta refundação vai ser impossível de fazer sem que haja alguns sobressaltos. Nós estamos a falar em mudar as rodas de um Ferrari em alta velocidade e em andamento”, afirmou Luís Mendes Cabral na comissão parlamentar de Saúde.
Aos deputados, o médico salientou que o Instituto Nacional de Emergência Médica tem atualmente uma orgânica que praticamente não mudou e com uma “falta de liderança clínica clara”.
Perante isso, Luís Mendes Cabral defendeu que o instituto precisa “de imediato” de uma nova lei orgânica, já anunciada pelo Governo, considerando que se trata da “necessidade mais permanente” para reorganizar o sistema de emergência médica e corrigir limitações estruturais.
“Há ainda um modelo pouco assente na liderança clínica do instituto, tanto ao nível de gestão, como operacional”, referiu o responsável do INEM, que tomou posse no cargo em novembro de 2025, apontando o exemplo das viaturas de suporte imediato de vida, que não têm protocolos de atuação.
Luís Mendes Cabral adiantou ainda que decidiu que o socorro pré-hospitalar fica assente em três níveis - suporte básico de vida, suporte imediato de vida e suporte avançado de vida.
“Não há entrelinhas, não há outra forma de olhar para o socorro senão nestes três níveis”, defendeu o médico especialista em medicina de urgência e emergência, para quem o INEM vai ter de ajustar o seu funcionamento com base nessa segmentação, aplicando protocolos de atuação definidos por uma direção clínica.
- Noticiário das 1h
- 15 abr, 2026







