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Cancro. Número de cirurgias aumentou 1,2% em 2025

04 fev, 2026 - 06:30 • Anabela Góis

De acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira em que se assinala o Dia Mundial de Luta contra o Cancro, a taxa de mortalidade por tumores malignos continua a diminuir em Portugal. Diretora do Programa Nacional defende programas extraordinários para combater listas de espera.

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Em 2025, foram realizadas 78.635 cirurgias oncológicas, a esmagadora maioria (99%) nos hospitais públicos. O número representa uma subida de 1,2% em comparação com o ano anterior.

De acordo com os dados oficiais, consultados pela Renascença, em dezembro, 577 dos doentes que aguardavam por cirurgia já tinham ultrapassado o tempo de resposta garantido e não tinham sequer marcação.

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Não há, no entanto, informação disponível sobre o total de doentes inscritos, embora se saiba que em junho eram 7.538 os utentes à espera de uma cirurgia oncológica programada, 16,3% para além do tempo previsto.

A análise dos dados oficiais permite ainda concluir que, apesar de, no total do ano passado terem sido operados mais doentes com cancro do que no período homólogo, nos meses de junho, julho e agosto de 2024 foram feitas mais cirurgias, meses que coincidem com o período do OncoStop, o programa extraordinário do Governo para combater as listas de espera para cirurgia oncológica.

Responsável defende mais programas extraordinários

A diretora do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas é a favor de mais programas extraordinários para combater as listas de espera para cirurgia oncológica.

Isabel Fernandes diz que os números mostram que as cirurgias aumentaram e os tempos de espera até diminuíram, mas há margem para melhorar.

“Houve um aumento das cirurgias oncológicas e até diminuímos o Tempo Máximo de Resposta Garantida, o número de doentes acima do tempo máximo de resposta garantida. Faz sempre sentido ter aqui estratégias para diminuir os tempos de espera e cumprir os tempos máximos de resposta garantido para os doentes oncológicos. Se é o OncoStop ou se é outra estratégia, isso tem que ser pensado superiormente.”

Taxa de mortalidade desce

De acordo com um relatório publicado neste Dia Mundial de Luta contra o Cancro, a taxa de mortalidade por tumores malignos continua a diminuir em Portugal, embora em 2024 se tenha verificado um ligeiro aumento do número de óbitos, associado ao envelhecimento da população.

O cancro da próstata nos homens e da mama nas mulheres continuam a ser os mais frequentes, mas é o cancro do pulmão que mata mais. Uma situação que Isabel Fernandes relaciona com a falta de rastreio e de prevenção.

“Nós temos uma taxa de sobrevivência, aos cinco anos, bastante elevada quer na mama quer na próstata, acima de 90%. O pulmão tem muitos determinantes e, portanto, temos de ter um grande esforço na prevenção, temos diminuir os determinantes oncológicos, tabaco, álcool, oncogénicos virais, etc. Depois, a nível de tratamento acho que nós, apesar de tudo, conseguimos aumentar o número de doentes tratados com quimioterapia e imunoterapia e também têm sobrevivências que não tinham há alguns anos.”

No rastreio do cancro da mama, a taxa de cobertura populacional já é superior a 90%, mas o rastreio do cancro do colo do útero só chega a seis em cada 10 mulheres e o do cólon e reto ainda a menos pessoas, muito longe da meta dos 90% em 2030. Isabel Fernandes acredita que a situação vai melhorar graças à norma que foi publicada no passado mês de dezembro.

“A deteção precoce do cólon do reto ainda é baixa. Temos 30 e tal por cento mas também a norma também só foi publicada agora em dezembro, portanto, estamos com expectativa que a norma vá uniformizar, diminuir desigualdades e permitir mais rastreio no colo do útero. Temos maior número de convidadas e de rastreadas, mas ainda não estamos nos objetivos que queremos. Vamos ver se conseguimos até 2030 atingir os objetivos europeus.”

Pela positiva, Isabel Fernandes destaca que em 2024 houve um aumento (10%) no número de doentes tratados com radioterapia e quimioterapia, e também aumentaram os doentes com acesso a tratamentos inovadores.

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