Reportagem
Em Arruda dos Vinhos nem todos compreendem que não se possa votar
08 fev, 2026 - 14:30 • Ana Catarina André
Devido aos efeitos do mau tempo, há mais de 36 mil eleitores impedidos de participar este domingo na eleição do próximo Presidente da República. Uma situação que, segundo alguns, pode influenciar os indecisos e levar a um aumento da abstenção nos concelhos afetados
Assim que entra num dos cafés existentes no centro de Arruda dos Vinhos, Albertino Vicente partilha a sua perplexidade. “Não sei porque é que não há eleições no concelho, se cada pessoa vota na sua freguesia e o Presidente da República fez um apelo para que toda a gente fosse votar”, diz o reformado, à Renascença, sublinhando que vai participar na eleição do próximo Presidente da República, mesmo que só possa fazê-lo no próximo domingo, dia 15. “É um dever cívico.”
Tal como Albertino Vicente, em Arruda dos Vinhos há 12.162 eleitores que não podem votar neste dia, devido às consequências das recentes depressões atmosféricas que provocaram deslizamentos de terras, abatimentos de vias e inundações em diversas zonas do País. Além deste concelho do distrito de Lisboa, há outros como Alcácer do Sal e a Golegã em que a população não pode contribuir, por enquanto, para a escolha do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.
Ao todo, há 36.852 portugueses que viram a sua participação eleitoral adiada para a semana.
A decisão não agrada a todos. É o caso de Doroteia Cardoso que reside no concelho de Arruda dos Vinhos: “Os portugueses deviam votar todos no mesmo dia, fosse para a semana ou daqui a duas semanas. Podíamos deixar o tempo acalmar mais. Não havia necessidade de se fazer assim”, lamenta, contando que as estradas no concelho “estão todas partidas”.
“Muitos eleitores zangados podem ser influenciados por uma política mais de protesto”
Em Arruda dos Vinhos, os estragos provocados pelo mau tempo cortaram uma parte significativa das estradas e fizeram 42 desalojados. Leonilde Domingos lamenta não poder votar. Ainda assim, considera que, atendendo ao contexto, a autarquia tomou “a melhor decisão”.
“Há aldeias isoladas. As pessoas não conseguem sair”, relata, sublinhando, de seguida, que quer votar na próxima semana. “Penso que a maioria das pessoas encararam bem este adiamento".
É o caso, também, de Inês Francisca, habitante na vila: "Têm que imperar o bom senso, até porque muitas pessoas que poderiam estar nas mesas de voto estão mobilizadas para outras situações”.
Para esta professora, o adiamento das eleições, no concelho, não teve impacto na sua escolha do próximo Presidente da República, mas teme que a situação possa levar a um aumento da abstenção no concelho.
“Vai também influenciar os indecisos”, diz. “Muitos eleitores, zangados com a situação [do mau tempo], podem ser influenciados por uma política mais de protesto.”
- Noticiário das 0h
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