Montenegro alerta para possibilidade novas rupturas no Mondego
11 fev, 2026 - 19:34 • Ricardo Vieira
Cedência parcial de dique, ocorrida esta tarde, vai ter um efeito lento de cheia que pode "atingir populações no concelho de Coimbra e de Montemor-o-Velho", afirma o primeiro-ministro. Montenegro defende "necessidade de manter vigilância total e absoluta".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, alerta "para a possibilidade de outras rupturas poderem vir a acontecer nas próximas horas" nos diques do rio Mondego.
"Aconteceu uma cedência parcial do dique do rio Mondego, por baixo da A1. Isto provocará o efeito de cheia, que será um efeito lento, que vai atingir populações no concelho de Coimbra e de Montemor-o-Velho", afirmou Luís Montenegro, em conferência de imprensa.
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O primeiro-ministro disse que o sistema de escoamento do caudal do Mondego já estava no limite e que todas as medidas preventivas foram tomadas para acautelar a segurança das populações.
Na terça-feira à noite, os autarcas da região decidiram retirar cerca de 3.600 pessoas das suas casas devido ao risco de cheias.
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Nesta conferência de imprensa, Luís Montenegro diz que "temos necessidade de manter vigilância total e absoluta" e apela à população que acate as ordens das autoridades em caso de evacuação.
O primeiro-ministro, que assumiu transitoriamente a pasta da Administração Interna, após a demissão da ministra Maria Lúcia Amaral, na terça-feira à noite, elogiou o trabalho desenvolvido pelos autarcas na resposta ao mau tempo.
O estado do tempo deverá melhor na quinta-feira, mas vai sofrer um novo agravamento na sexta-feira. O chefe do Governo alerta que "temos ainda pela frente horas de precipitação constante e intensa".
"Poderemos ter amanhã, de acordo com as previsões, um desagravamento desta situação, mas isso não vai neste caso concreto diminuir a nossa necessidade de mantermos uma vigilância total e absoluta, até porque assim que este processo de cheia é relativamente lento, o processo de escoamento da água é ainda mais lento", afirmou.
"Na noite de quinta para sexta-feira prevê-se um novo agravamento da situação de precipitação e a possibilidade de podermos ter novas ocorrências no que diz respeito à resistência que liga Coimbra à Figueira da Foz", sublinha Luís Montenegro.
Novas evacuações em Coimbra
Na mesma conferência de imprensa, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, anunciou novas evacuações em São Martinho de Árvore, Quimbres e São João do Campo, devido à subida das águas do rio Mondego.
Já tinham sido iniciada a evacuação de Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal, Arzila, São Martinho do Bispo, Conraria e Cabouco.
"Havendo a possibilidade de outras rupturas no dique vamos manter a situação de prevenção, vamos manter estas zonas evacuadas", disse a autarca de Coimbra.
As escolas vão continuar encerradas, adiantou Ana Abrunhosa.
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“Tudo aconteceu como previsto" no Mondego
De acordo com a governante, "tudo aconteceu como previsto" no rio Mondego.
"Foi uma ruptura parcial de dez metros para campos agrícolas e uma cheia lenta. São dois pontos positivos, mas o caudal vai espraiar nos campos agrícolas até Montemor-o-Velho. A malha urbana de Montemor-o-Velho está protegida por dois diques. Agora, o trabalho mais urgente da Agência Portuguesa do Ambiente é monitorizar estes dois diques para que não ocorram galgamentos do rio para a malha urbana”, declarou.
A ministra considera que para conseguir controlar o rio Mondego será necessário construir a nova barragem de Girabolhos.
“Na zona do Mondego temos duas barragens, que não são suficientes para controlar os caudais do Mondego num cenário de alterações climáticas e de eventos extremos. daí a intenção de lançar a construção da barragem de Girabolhos”, afirma Maria da Graça Carvalho.
O Governo incumbiu a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de lançar o concurso público para a construção e exploração da barragem de Girabolhos até final de março, segundo um comunicado divulgado esta quarta-feira.
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