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Proteção Civil alerta para risco de rutura de diques no Mondego e mantém Coimbra sob vigilância máxima

11 fev, 2026 - 13:25 • Olímpia Mairos

Comandante da ANEPC confirma evacuações preventivas na região de Coimbra e alerta para risco elevado de deslizamentos e cheias em vários rios do país.

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A situação meteorológica mantém o país sob forte pressão e a região de Coimbra é, neste momento, a que mais preocupa as autoridades. O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou, em conferência de imprensa, para o risco de rutura de diques no rio Mondego e apelou a “precaução redobrada” da população.

Pelas inundações e sobretudo pela subida das águas rápidas dos rios, devem ter precaução redobrada em tudo aquilo que é a sua vida quotidiana”, afirmou.

Coimbra no centro das preocupações

O comandante nacional explicou que, face às previsões da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre os caudais previstos no Mondego, existiu durante a noite um cenário de risco significativo.

Havia um risco significativo de poder existir alguma rotura num dos diques”, revelou, referindo-se aos cerca de 30 quilómetros de dique entre Coimbra e a Figueira da Foz.

“São 30 quilómetros de dique desde a zona de Coimbra até à zona da Figueira da Foz e, portanto, neste momento a situação mais preocupante é se há a existência ou o potencial de existência de um rompimento de um desses diques. É das situações mais complexas que temos neste momento”, sublinhou.

Perante este risco, foi ativado um plano previamente delineado em articulação com os presidentes de câmara da região e com a APA. A decisão passou por avançar com evacuações preventivas nas zonas ribeirinhas.

“Antes de poder existir esse potencial de rompimento, procedeu-se a uma evacuação preventiva das pessoas, com particular incidência nas pessoas com dificuldade de mobilidade, nomeadamente nas estruturas residenciais para pessoas idosas”, explicou.

Milhares de ocorrências e planos ativados

No balanço nacional, a Proteção Civil registou até agora 14.325 ocorrências, mobilizando 49.315 operacionais e 19.887 meios.

Estão ativados 12 planos distritais, 125 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta. O Plano Especial da Bacia do Tejo mantém-se no nível máximo — vermelho.

Os rios Mondego, Tejo, Sorraio, Vouga, Águeda e Sado apresentam risco significativo de inundação. Mantêm-se também sob vigilância o Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Lis, Nabão e Guadiana.

Mário Silvestre destacou que os cursos de água com escoamento rápido representam risco acrescido: “Têm subidas de caudal muito rápidas e colocam rapidamente em risco as pessoas que vivem nesses locais”.

Deslizamentos são o principal perigo

O comandante nacional sublinhou que os movimentos de massa e deslizamentos de terras são, neste momento, o fenómeno com maior impacto.

“O maior impacto na vida das pessoas é, sem dúvida nenhuma, a questão do deslizamento de terras e do comprometimento de muitas vias rodoviárias”, afirmou.

Em Porto Brandão, em Almada, decorre uma evacuação devido ao corte da principal estrada de acesso. Na Costa da Caparica registaram-se desabamentos de pedras, com danos num edifício e realojamento de seis pessoas.

Na Lezíria do Tejo, no Cartaxo, a derrocada da fachada de um armazém devoluto provocou danos em cinco viaturas e numa ambulância, sem vítimas.

39 mil clientes sem energia

Segundo informação da E-Redes, há ainda 39 mil clientes sem energia elétrica, sendo 30 mil afetados diretamente pela tempestade — 23 mil em Leiria, seis mil em Santarém e mil em Castelo Branco.

Apelos à população

O comandante nacional da ANEPC deixou vários alertas diretos à população:

Nunca entrem em zonas inundadas. Trinta centímetros de água podem arrastá-lo”, advertiu.

Recomendou ainda que os cidadãos não atravessem estradas inundadas, evitem túneis e passagens inferiores, mantenham distância de rios e não se aproximem da orla costeira para filmar ou fotografar a subida das águas.

Em caso de sinais de instabilidade — como fendas em muros, árvores inclinadas, água barrenta a sair do solo ou estradas deformadas — a orientação é clara: “Afaste-se da zona e avise os serviços municipais de proteção civil e os bombeiros”.

Não desvalorizem os sinais de alerta”, reforçou.

A Proteção Civil mantém vigilância permanente sobre a evolução da situação hidrológica e meteorológica, com especial atenção à região de Coimbra, onde o risco associado aos diques do Mondego continua a ser considerado prioritário.

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