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Religião

Turismo do Centro alerta para cancelamentos por alarmismo e apela à visita à região

19 fev, 2026 - 12:39 • Olímpia Mairos

Governo, através do Turismo de Portugal, vai avançar com campanhas para relançar turismo nacional e apoiar recuperação da região Centro.

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O presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, Rui Ventura, alertou para o impacto negativo do alarmismo na comunicação sobre os recentes fenómenos extremos, sublinhando que estão a ser registados cancelamentos de reservas em territórios que não foram afetados.

Estão a desmarcar. Estão a ser desmarcadas em territórios que não foram afetados”, afirmou Rui Ventura, explicando que a perceção generalizada de que todo o Centro de Portugal está condicionado está a penalizar zonas que continuam plenamente operacionais.

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O responsável sublinhou que a Entidade Regional de Turismo está a trabalhar em articulação com o Turismo de Portugal para lançar uma campanha dirigida à região. “Estamos articulados com o Turismo de Portugal no sentido de fazer uma campanha para o território da região Centro, para aquele que foi afetado — obviamente que depois todo o outro vai beneficiar”, explicou.

Rui Ventura lembrou que, num curto espaço de tempo, diferentes áreas do Centro foram atingidas por fenómenos distintos, desde tempestades a incêndios.

No fundo, o Centro de Portugal praticamente foi afetado durante este curto espaço de tempo”, disse, acrescentando que o objetivo passa agora por criar mecanismos para atrair visitantes. “O que nós pretendemos é criar aqui mecanismos para que as pessoas venham visitar o Centro de Portugal”.

Além da promoção turística, o presidente da Entidade Regional defendeu a captação de iniciativas e iniciativas culturais e económicas para a região. “É importante trazer eventos para o Centro de Portugal, para criar essa dinâmica e atrair pessoas ao território”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Rui Ventura deixou claro que grande parte da região não foi afetada. “O Centro de Portugal é muito grande. Estamos a falar desde a Rota dos Vinhos, ao litoral de Ovar e todo o interior, e felizmente muito do Centro de Portugal não foi afetado”, sublinhou.

O responsável alertou ainda para o risco de repetir o cenário vivido durante os incêndios de anos anteriores. “O alarmismo é tão grande que está a acontecer o mesmo que aconteceu nos incêndios: onde não estava a arder, as pessoas estavam a desmarcar a sua estadia”, afirmou, considerando que essa perceção está a criar impactos indiretos em zonas que continuam seguras e preparadas para receber visitantes.

Segundo Rui Ventura, a região Centro abrange 100 concelhos, organizados em oito comunidades intermunicipais, mas apenas parte do território foi diretamente afetada.

Estamos a falar de quatro comunidades intermunicipais afetadas — Médio Tejo, Beira, Coimbra e Oeste — o que não significa que todos os concelhos dessas sub-regiões tenham sido atingidos”, esclareceu.

Presente em Fátima, onde decorre um workshop internacional de turismo, Rui Ventura apontou o exemplo da cidade como sinal de resiliência. “Estamos neste momento em Fátima, que foi fustigada, mas já está a funcionar. As pessoas vieram de todo o mundo para aqui”, afirmou.

O presidente da Entidade Regional deixou um apelo claro aos turistas. “As pessoas podem vir ao Centro de Portugal, podem visitar o Centro de Portugal”, concluiu, defendendo que a região continua aberta, segura e preparada para receber visitantes, apesar dos desafios recentes.

Novas campanhas de promoção turística

Já o secretário de Estado do Turismo, em declarações aos jornalistas, à margem da XIII Edição - International Workshops on Religious Tourism, anunciou que o Governo vai lançar, já na próxima semana, novas campanhas de promoção turística destinadas a relançar o mercado nacional e a apoiar a recuperação da região Centro, uma das mais afetadas pelos recentes fenómenos extremos que atingiram o país.

Segundo o governante, o Turismo de Portugal está a preparar uma estratégia com impacto nacional e regional. “O Turismo de Portugal tem orientação minha e está a preparar essa campanha para a região e para o país, no sentido de podermos relançar aquilo que é o mercado nacional”, afirmou.

Pedro Machado sublinhou a importância do mercado interno, recordando que em várias regiões continua a ser determinante. “Eu ontem estive no Porto e Norte e temos regiões para quem o mercado nacional ainda hoje é o principal mercado”, disse, defendendo que a campanha responde a uma realidade atual do setor.

Paralelamente, o Governo está a apostar na diversificação dos mercados externos. “É muito importante aquilo que estamos a fazer, que é alargar rotas, criar novas conectividades e alargar o perímetro dos mercados emissores, para encontrarmos formas supletivas de acudir à necessidade e à urgência”, explicou.

Questionado sobre uma campanha específica para a região Centro, o secretário de Estado antecipou que novas iniciativas serão lançadas já na próxima terça-feira, em Lisboa, à margem de uma conferência internacional do Turismo de Portugal.

Iremos lançar algumas campanhas e programas, nomeadamente no domínio da sustentabilidade”, afirmou, sublinhando que estas ações passam pela “promoção e valorização dos produtos, mas também dos nossos recursos turísticos”, considerados essenciais para iniciar o caminho da recuperação.

Embora ressalvando que a estratégia é nacional, o governante reconheceu a situação particularmente difícil vivida pela região Centro.

A região Centro de facto tem sido mais fustigada e por isso tem que ter recursos financeiros, recursos materiais e também campanhas promocionais que ajudem a relançar e a contrariar esta quase fatalidade de ter sido atingida nestes últimos anos”, afirmou.

Foi nesse contexto que justificou a presença em Fátima, ao lado dos responsáveis regionais do setor. “Estamos aqui hoje exatamente para, em conjunto, criarmos condições para ultrapassar estas dificuldades”, disse.

O secretário de Estado destacou ainda o peso do turismo na economia nacional. “O turismo é hoje uma atividade económica incontornável no país. Representa mais de 14% do nosso produto interno bruto”, afirmou, acrescentando que as perspetivas para 2026 são positivas.

Acreditamos que vamos manter uma onda de crescimento, talvez na ordem dos 2 a 2,5% em fluxo, o que pode significar entre 5% e 6,5% em receitas”, acrescentou.

Para o governante, o turismo é decisivo não só para a recuperação económica, mas também para a coesão territorial. “Em qualquer canto do país, sempre que recebemos um estrangeiro, estamos a exportar e a captar divisas externas”, concluiu, defendendo o setor como um dos principais motores de desenvolvimento de todo o território nacional.

Os IWRT, que decorrem entre Fátima e a Guarda, constituem uma plataforma estratégica de projeção global do turismo religioso, com impacto direto na dinamização económica regional, num contexto marcado pela recuperação do território.

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