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Concentração de urgências “é encerramento de serviços e piores cuidados de saúde”, acusa sindicato

27 fev, 2026 - 12:50 • Olímpia Mairos

Sindicato dos Médicos do Sul junta-se a protesto no Barreiro e alerta para agravamento do acesso ao SNS na região de Lisboa e Vale do Tejo.

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A criação de serviços de urgência regionais de ginecologia-obstetrícia para a Península de Setúbal, Loures e Vila Franca de Xira representa um “retrocesso inaceitável” no acesso aos cuidados de saúde, afetando milhares de utentes, denuncia o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

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Em comunicado, o sindicato afirma que esta reorganização “corresponde, na prática, ao encerramento de serviços por falta de médicos especialistas”, responsabilizando sucessivos governos por empurrarem médicos para fora do Serviço Nacional de Saúde.

“O Ministério da Saúde está a desistir do SNS enquanto garante da segurança e da saúde das grávidas e das crianças em vastas zonas do país”, acusa o sindicato, sublinhando que esta situação “não é inevitável”.

O sindicato defende que existe uma alternativa clara: melhores condições de trabalho, progressão na carreira e salários dignos para fixar médicos no SNS, garantindo que esta solução teria menos custos do que a atual dependência de horas extraordinárias e prestadores de serviços. E anuncia que se junta à concentração promovida pela Comissão de Utentes, marcada para domingo, 1 de março, às 10h00, em frente ao Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, unidade onde as urgências de ginecologia-obstetrícia vão encerrar, uma decisão classificada como “particularmente dramática”.

A concentração das urgências das maternidades da Península de Setúbal no Hospital Garcia de Orta, em Almada, irá, segundo o sindicato, sobrecarregar o hospital e afastar as utentes da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho entre 30 e 50 minutos da maternidade pública mais próxima.

Também a transformação da maternidade do Hospital São Bernardo, em Setúbal, num serviço periférico, apenas acessível através do INEM para o Litoral Alentejano, é considerada “caricata”, tendo em conta que a área de influência do hospital ultrapassa meio milhão de pessoas.

Nos hospitais Beatriz Ângelo, em Loures, e Vila Franca de Xira, o sindicato alerta que mais meio milhão de pessoas verá o acesso aos cuidados de saúde mais distante, obrigando, por exemplo, grávidas de Benavente a percursos de cerca de 40 minutos em situação de urgência.

Para o Sindicato dos Médicos do Sul reorganização constitui um projeto-piloto que poderá ser alargado a todo o país e a várias especialidades, estando já previstos processos semelhantes nas urgências de ortopedia e cirurgia em Lisboa e na região Oeste.

“Estas medidas vão agravar o acesso aos cuidados de saúde e não resolvem a fuga de médicos do SNS”, conclui o sindicato, reafirmando que estará domingo ao lado dos utentes, em defesa de um SNS para todos.

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