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Dia da Mulher: disparidade salarial chega a 15% e desemprego feminino continua acima do masculino

02 mar, 2026 - 12:20 • Olímpia Mairos

Participação feminina atinge máximos históricos, mas desigualdades salariais e no acesso à liderança persistem no mercado de trabalho português.

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A desigualdade de género no mercado de trabalho português mantém-se como um dos principais desafios estruturais, apesar dos sinais de evolução registados nos últimos anos.

No âmbito do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março, a Claire Joster, empresa do Grupo Eurofirms, divulgou uma análise aos mais recentes indicadores do mercado laboral nacional que confirma avanços na participação feminina, mas também a persistência de desigualdades salariais e de acesso à gestão.

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Os dados mostram que a população ativa feminina atingiu um máximo histórico de 2,8 milhões de mulheres no último trimestre de 2025, mais 2,6% do que no período homólogo. Ainda assim, a taxa de desemprego das mulheres fixou-se nos 6,5%, acima da registada entre os homens (6%), evidenciando “uma maior dificuldade na absorção do talento feminino pelo mercado de trabalho”.

Construção e imobiliário mostram quebra de estereótipos

Apesar de setores como a saúde humana e o apoio social continuarem a concentrar a maior fatia do emprego feminino — 16,7% do total de mulheres empregadas — a análise da Claire Joster aponta para uma mudança gradual no perfil das ocupações.

A presença feminina no setor da construção aumentou 22,2%, enquanto nas atividades imobiliárias o crescimento foi de 16,9%, revelando uma progressiva quebra de estereótipos em áreas tradicionalmente dominadas por homens.

Madeira e Centro lideram crescimento da população ativa feminina

A evolução da participação feminina não é homogénea no território nacional. A Região Autónoma da Madeira e a região Centro registaram os crescimentos mais expressivos da população ativa feminina no último trimestre de 2025, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente.

Seguem-se o Algarve (3,9%) e a Grande Lisboa (3,2%), enquanto o Alentejo (1%) e o Norte (0,8%) apresentam ritmos mais moderados.

Ainda assim, dados do INE indicam que Portugal se aproxima de uma representação paritária em termos quantitativos: as mulheres representam atualmente 49,5% da população ativa, sendo maioria ou metade da força de trabalho em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve.

Diferença salarial mantém-se elevada, sobretudo em cargos técnicos e de gestão

O equilíbrio numérico contrasta com as desigualdades ao nível da remuneração. Em média, as mulheres ganham 15,4% menos do que os homens, uma diferença que se agrava em determinadas funções.

Nos postos de operação de instalações e máquinas, o fosso salarial chega aos 25%; nas funções técnicas e de nível intermédio atinge 22,3%; e nos cargos de direção e gestão fixa-se nos 18,7%.

Eurofirms com 81% de liderança feminina

Em contraciclo com a realidade nacional, os dados internos do Grupo Eurofirms em Portugal revelam um cenário de paridade consolidada. 76% dos cargos da empresa são ocupados por mulheres, percentagem que sobe para 81% nos níveis de liderança e decisão.

Segundo a análise interna, este equilíbrio é particularmente visível nos patamares mais avançados da carreira, com maior paridade entre profissionais com mais de 50 anos em cargos de liderança sénior.

Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, citada em comunicado, “os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento”.

A responsável sublinha, no entanto, que a experiência do grupo demonstra que a mudança é possível: “Na Eurofirms, apresentamos 81% de liderança feminina, provando que a competência não tem género e que a equidade é um pilar essencial para o sucesso e sustentabilidade das organizações”.

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