Igualdade de género
Portugal é o país europeu com maior percentagem de mulheres entre inventores
03 mar, 2026 - 00:37 • Lusa
Em Portugal, em cada 100 inventores, apenas 30 são mulheres (29,3%). Já na Europa, a média desce para 13,8%. O novo relatório da Organização Europeia de Patentes alerta, no entanto, para uma "fuga de talentos".
Portugal é o país europeu com maior percentagem de mulheres nas equipas de inventores, segundo um estudo internacional que alerta, no entanto, para a "fuga de talentos" femininos e consequente sub-representação nas descobertas patenteadas e "startups".
O relatório publicado nesta terça-feira pela Organização Europeia de Patentes (OEP) mostra que há cada vez mais mulheres inventoras com pedidos de patentes, mas continuam a ser uma minoria.
Em Portugal, em cada 100 inventores, apenas 30 são mulheres (29,3%). Na Europa, a média desce para 13,8%.
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Portugal surge em primeiro lugar, seguido pela Espanha, numa lista de 22 países, em que a Alemanha, a Hungria e a Áustria aparecem nos últimos lugares, com taxas a rondar os 10%, segundo o relatório "Promovendo as mulheres nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) - Uma avaliação baseada em dados sobre a disparidade de género no ecossistema de inovação europeu".
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Nas últimas décadas, a presença feminina nas equipas inventivas tem crescido, mas "muito lentamente", defende Cristina Margarido, examinadora de patentes da OEP.
O estudo alerta para uma "fuga de talentos", já que há cada vez mais mulheres em licenciaturas das áreas STEM que vão desaparecendo à medida que se avança na carreira. Entre as doutoradas, são poucas as investigadoras que registam patentes ou criam empresas tecnológicas ("startups").
"Este padrão sugere que as mulheres enfrentam barreiras cada vez mais pronunciadas ao avançarem em carreiras ligadas às STEM e impulsionadas pela tecnologia", sublinha o presidente da OEP, António Campinos.
Para António Campinos, "a Europa não pode dar-se ao luxo de deixar o talento à margem", até porque existe um potencial de inovação que fica por explorar.
A ideia é corroborada por Cristina Margarido, que ficou surpreendida com a elevada percentagem de "startups2 exclusivamente masculinas: "Temos muitos grupos mistos a fazer investigação e desenvolvimento, mas depois os fundadores de empresas tecnológicas são quase todos homens".
O estudo diz que apenas um em cada dez fundadores é do sexo feminino. Também aqui Portugal e Espanha se destacam pela positiva: Em Espanha, 19,2% das "startups" têm mulheres entre os fundadores e em Portugal são 15,7%.
Na Europa, apenas 13,5% das "startups" com patentes contam com, pelo menos, uma mulher fundadora. Todas as outras, mais de 85%, são compostas apenas por homens.
Atualmente, as mulheres estão muito mais presentes na investigação das áreas da indústria farmacêutica (34,9%), biotecnologia (34,2%) e química alimentar (32,3%).
Por outro lado, nas áreas das máquinas-ferramenta (5,7%), processos básicos de comunicação (5,5%) e elementos mecânicos (4,9%) a sua presença continua a ser quase residual, segundo o estudo.
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