Estudo
Inteligência Artificial diz que raparigas são "frágeis" em 56% dos casos
04 mar, 2026 - 21:00 • Catarina Magalhães
"Desafiar a IA é o primeiro passo para garantir que o futuro não repete o passado", alerta o novo estudo da consultora LLYC. Por exemplo, a Inteligência Artificial considera "impressionante" que uma mulher ganhe mais do que um homem.
"Se a realidade não muda, as respostas também não". A Inteligência Artificial (IA) ocupa várias horas dos ecrãs e da vida dos mais jovens. Alguns encarregam ao sistema várias decisões importantes sobre o seu futuro, "mas esta tecnologia não é neutra".
O novo estudo da consultora LLYC "A miragem da IA, um reflexo incómodo com alto impacto nos jovens" divulgado esta quarta-feira revelou que esta tecnologia continua a perpetuar estereótipos antigos.
"Longe de oferecer neutralidade e respostas objetivas, a IA age como um espelho: reflete estereótipos, amplia-os e devolve-os às novas gerações", lê-se em comunicado.
Estas ferramentas validam, por isso, a desigualdade de género a utilizadores entre os 16 e 25 anos – idades centrais na formação da identidade e valores.
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Segundo o relatório, a IA amplia preconceitos ao mesmo tempo que limita a autonomia das mulheres, recomendando que devem procurar, de preferência, aprovação externa.
Em particular, as mulheres mais jovens que fazem desta tecnologia a sua conselheira pessoal são rotuladas como "frágeis ou fracas" em 56% dos casos em que pedem conselhos sobre situações de dor ou conflito. Por oposição, o homem é descrito, nestas situações, como "resiliente".
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A tecnologia considera ainda "impressionante que uma mulher ganhe mais do que um homem. E "se falamos de liderança feminina no âmbito laboral, a IA considera-a um 'feito histórico' e não uma normalidade", concluiu.
"Além de se tornar o 'confidente', a IA começa a ser uma porta de entrada para o abuso físico e mental."
Para chegar a estes resultados, foram analisadas 9.600 recomendações geradas por cinco grandes modelos de linguagem – ChatGPT, Gemini, Grok, Mistral e Llama –, simulando perfis de adolescentes e jovens adultos em 12 países, incluindo Portugal.
Já "os homens são educados para perseguir o que querem", negando a validação emocional que concede às mulheres. "Enquanto convidam as raparigas a explorar os seus sentimentos, a eles treina-os sob os mandatos de dureza e competição."
Nas conversas com os "chatbots" (modelos de conversação artificiais), é replicada a ideia de que "os rapazes não choram".
"Desafiar a IA é o primeiro passo para garantir que o futuro não repete o passado", alertou a consultora.
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