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Investigação

Nova descoberta permite criar células imunitárias para combater o cancro

05 mar, 2026 - 11:25 • Olímpia Mairos

Investigação abre caminho a novas terapias de imunoterapia ao permitir produzir células imunitárias em laboratório.

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Um grupo de cientistas conseguiu recriar pela primeira vez em laboratório células Natural Killer (NK) – um tipo de células do sistema imunitário que atua na primeira linha da defesa contra tumores – através de reprogramação celular.

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A investigação foi coordenada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), em colaboração com a Universidade de Lund, na Suécia.

Os cientistas desenvolveram uma nova plataforma chamada REPROcode, que permite mapear e testar combinações de fatores responsáveis pela reprogramação de células imunitárias.

Esta ferramenta permite testar dezenas de combinações de fatores em simultâneo, de forma a identificar quais possibilitam a obtenção de vários tipos de células imunitárias”, explica o investigador do CNC-UC Carlos-Filipe Pereira, que coordenou o estudo, citado em comunicado.

Biblioteca com centenas de fatores

Para criar a plataforma, os investigadores desenvolveram uma biblioteca com mais de 400 fatores de transcrição, proteínas capazes de reprogramar diferentes tipos de células do sistema imunitário.

Cada um destes fatores foi identificado através de “códigos de barras”, permitindo aos cientistas rastrear quais são responsáveis pela transformação de um tipo celular noutro.

Além de permitir gerar células NK, a investigação também identificou fatores que melhoram a reprogramação de outros tipos celulares já conhecidos.

Segundo os investigadores, este avanço abre novas possibilidades para o desenvolvimento de imunoterapias celulares.

Novas estratégias contra o cancro

A imunoterapia, que utiliza o próprio sistema imunitário do doente para combater o cancro, é atualmente uma das áreas mais promissoras da medicina. No entanto, muitos tumores e pacientes não respondem a este tipo de tratamento.

Outro desafio é que muitas células imunitárias úteis nestas terapias são raras no sangue e difíceis de obter diretamente dos pacientes, o que torna importante a sua produção em laboratório.

Os investigadores criaram ainda um “mapa-guia” dos fatores que controlam a formação das diferentes linhagens de células imunitárias, contribuindo para identificar combinações de fatores de transcrição que ainda eram desconhecidas.

A nossa abordagem funciona como uma ‘caixa de ferramentas’ que permite gerar células imunitárias em laboratório a partir de células mais fáceis de recolher e replicar, como as da pele”, explica Carlos-Filipe Pereira.

O investigador acrescenta que esta estratégia poderá facilitar o desenvolvimento de imunoterapias mais eficazes, reduzindo o risco de falha em determinados pacientes e abrindo caminho a novas abordagens contra o cancro.

Possível aplicação em doenças autoimunes

A equipa acredita que a tecnologia poderá ter aplicações para além do tratamento do cancro.

No futuro, além de permitir gerar células que ativam o sistema imunitário contra o cancro, esta abordagem poderá ser expandida para produzir células que o ensinam a não atacar o próprio corpo”, afirma o investigador.

Segundo Carlos-Filipe Pereira, esta possibilidade poderá abrir caminho a novas terapias para doenças autoimunes, como a Diabetes ou a Artrite reumatoide.

O estudo contou também com a participação de investigadores de várias instituições internacionais, incluindo o Lund Stem Cell Center, o Wallenberg Centre for Molecular Medicine, o National Bioinformatics Infrastructure Sweden, o Helmholtz Zentrum München e a Asgard Therapeutics. Os resultados foram publicados na revista científica Cell Systems.

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