Linha do Douro: Autarca de Torre de Moncorvo critica suspensão entre Régua e Pocinho
06 mar, 2026 - 11:08 • Olímpia Mairos
José Meneses fala em “Portugal a duas velocidades” e alerta para o impacto da interrupção da circulação ferroviária na economia e no turismo do Douro Superior.
O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo critica a suspensão da circulação ferroviária na Linha do Douro entre a Régua e o Pocinho e acusa o país de continuar dividido entre o litoral e o Interior. Numa tomada de posição política divulgada esta sexta-feira, José Meneses defende que a situação é um exemplo claro de “um problema estrutural do país”.
“A suspensão da circulação ferroviária na Linha do Douro, entre a Régua e o Pocinho, é hoje um símbolo claro de um problema estrutural do país: a persistência de um Portugal a duas velocidades”, afirma o autarca.
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Segundo José Meneses, enquanto algumas regiões beneficiam de decisões rápidas e de grandes infraestruturas, o interior continua a enfrentar atrasos e falta de respostas.
“De um lado, o país das grandes autoestradas, das decisões rápidas e da proximidade aos centros de poder. Do outro, o interior, onde as obras se arrastam, as respostas tardam e as populações são frequentemente chamadas a esperar”, acrescenta.
Impacto no turismo e na economia local
O autarca sublinha que a interrupção da ligação ferroviária tem consequências diretas na economia do Douro Superior, sobretudo numa altura em que a região recebe muitos visitantes por causa da época das amendoeiras em flor.
“A Linha do Douro é muito mais do que uma infraestrutura ferroviária. É uma linha estruturante para a economia do Douro Superior e um ativo estratégico para o turismo nacional”, refere.
De acordo com o presidente da câmara, a interrupção da circulação afeta vários setores ligados ao turismo.
“Sentem-no os restaurantes, os taxistas e operadores de transporte local, bem como os agentes turísticos e empresas de animação que organizam programas para visitantes nacionais e estrangeiros”, sublinha.
Modernização necessária, mas com impacto no território
José Meneses reconhece que as obras de modernização e eletrificação da Linha do Douro são importantes, lembrando o investimento anunciado de cerca de 165 milhões de euros, mas considera que a execução tem penalizado o território.
“Modernizar não pode significar deixar um território meses a fio sem uma das suas principais ligações ferroviárias”, afirma.
O autarca critica também as soluções alternativas de transporte que têm sido implementadas.
“Num país que tantas vezes fala de coesão territorial, não podemos aceitar que uma das regiões mais emblemáticas de Portugal fique dependente de soluções improvisadas e de transbordos rodoviários que afastam visitantes e penalizam a economia local”, acrescenta.
Apelo ao Governo
Na tomada de posição, o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo recorda que o Douro é Património Mundial da UNESCO e defende que a região merece respostas mais rápidas por parte do Governo.
“O Douro Superior não pode continuar a ser tratado como um território de segunda linha”, afirma.
José Meneses pede por isso maior rapidez nas decisões políticas.
“É legítimo exigir ao Governo celeridade, clareza e compromisso político. O país não pode continuar dividido entre o Portugal da A1 e o Portugal do interior. O Douro merece mais do que promessas”, conclui.
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