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Portugal entre os países com mulheres mais qualificadas da Europa, mas desigualdade salarial mantém-se

08 mar, 2026 - 08:00 • Anabela Góis

Relatório da Randstad indica que 59,1% das trabalhadoras têm formação superior, mas ocupam apenas 15,7% dos cargos de CEO e executivos nas maiores empresas.

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Portugal tem uma das maiores percentagens de mulheres qualificadas da Europa: só fica atrás da Estónia e da Letónia. No entanto, isso não se traduz em maior rendimento mensal nem em mais cargos de direção. Apesar da evolução registada nos últimos anos e de uma aproximação à média da União Europeia, ainda “existe uma clara assimetria entre a qualificação académica, a remuneração e a progressão profissional”.

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O retrato da situação da mulher no mercado de trabalho em Portugal é traçado pela Randstad, no âmbito do Dia Internacional da Mulher.

O relatório mostra que 59,1% das mulheres trabalhadoras têm formação superior, mas ocupam apenas 15,7% dos cargos de CEO e executivos nas maiores empresas do país.

Érica Alves Pereira, diretora da Randstad, diz que “há muito talento feminino que fica pelo caminho, o que significa que estamos a evoluir muito devagar e que ainda há muito trabalho a fazer no mercado português”.

De acordo com este relatório, o talento feminino concentra-se sobretudo nos setores da saúde e apoio social e na educação, enquanto os homens dominam os setores de maior peso tecnológico e produtivo, como a indústria e a construção.

“Esta fronteira nítida de género entre os setores de atividade não é apenas uma questão de preferência, mas um reflexo de barreiras e estereótipos que canalizam o talento qualificado para áreas distintas”, afirma Érica Alves Pereira.

O facto de as mulheres estarem sub-representadas em setores de capital e indústria resulta também, nota Érica Alves Pereira, “numa grande diferença em termos de rendimentos, com as mulheres a ganharem menos 20% do que os homens”.

O diferencial de rendimento médio mensal líquido da população empregada por conta de outrem situou-se nos 17,1% em 2024, o que representa uma disparidade de 205 euros entre a média masculina (1.388€) e a feminina (1.183€). Esta diferença é transversal à estrutura económica, mas acentua-se particularmente no setor dos serviços, onde o diferencial atinge 21,4%, pode ler-se no relatório.

Outra grande diferença mostrada por este estudo refere-se à percentagem de trabalhadores a tempo parcial: são sobretudo as mulheres que optam por este regime (62,9%), enquanto os homens representaram 37,1% em 2024.

A maior diferença, sublinha a diretora da Randstad, prende-se com os motivos: “se nas mulheres os cuidados com os pais, adultos com deficiência ou crianças são as principais razões para optarem pelo trabalho em part time, para os homens motivos como a educação e formação justificam a maior parte dos casos.”

De resto, a proporção de mulheres a tempo parcial com crianças a cargo (8,5%) é mais do dobro da registada entre os homens (3,2%).

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