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Saúde

Apesar da rejeição dos autarcas, urgência regional de obstetrícia e ginecologia em Setúbal vai avançar

11 mar, 2026 - 00:38 • Marisa Gonçalves

Diretor executivo do SNS diz que ninguém pode garantir que deixem de acontecer partos em ambulâncias, mas acredita que a criação de uma urgência regional é a medida mais adequada.

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Nove autarcas da região de Setúbal reuniram-se esta terça-feira porque encerrar os serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia no Barreiro para dar lugar ao funcionamento da nova urgência regional no Hospital Garcia de Orta, em Almada, "é uma decisão errada".

Perante a notícia de que a urgência regional de obstetrícia e ginecologia em Setúbal vai avançar, estes autarcas reuniram-se com o diretor executivo do SNS, Álvaro Santos Almeida, para contestar esta decisão e e dizem que não se dão por rendidos.

“Continuamos com muitas preocupações com aquilo que nos chega, também através dos profissionais, de haver um sobrecarregamento do serviço. Temos de continuar a fazer sentir à Ministra que esta decisão é uma decisão errada", protestou o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal, Frederico Rosa, à saída da reunião no Ministério da Saúde.

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Os autarcas dos municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal manifestam preocupação face a uma solução que o Governo diz ser “temporária”, até se reunirem condições para aumentar o número de médicos obstetras na região.

"Não podemos desistir. Nós precisamos de uma integração daquilo que é a estratégia de saúde, mais cuidados primários", sublinhou ainda o presidente da CIM da Península de Setúbal ao mesmo tempo que defendeu “todas as formas de luta”, incluindo o envolvimento da população, “para que se perceba que não é esta a solução".

Porém, o diretor executivo do SNS garante que a concentração de serviços em Almada é, por agora, a melhor solução.

“Neste momento, as urgências acabam por estar encerradas mais dias do que estão abertas, nomeadamente a do Barreiro. Portanto, ao criarmos uma urgência centralizada que assegura o funcionamento de duas das três urgências da península, em permanência, estamos a reforçar a estabilidade, a previsibilidade e a segurança dos utentes”, declarou à saída do encontro.

O diretor executivo do SNS diz que ninguém pode garantir que deixem de acontecer partos em ambulâncias, mas acredita que a criação de uma urgência regional é a medida mais adequada.

“Ninguém pode garantir uma coisa dessas. O que podemos garantir é que os cuidados de saúde serão prestados em segurança. Com mais segurança do que atualmente são prestados porque neste momento temos as urgências a encerrar alternadamente o que gera incerteza, insegurança, falta de previsibilidade e isso vai acabar”, assegurou.


Questionado sobre a previsão de quando entrará em funcionamento a nova urgência regional em Almada, Álvaro Santos Almeida não se comprometeu com uma data, afirmando que "não será este mês" e que ainda está a ser trabalhada a melhor ocasião.

Urgência regional de obstetrícia arranca segunda-feira em Loures

Na próxima segunda-feira, começa a funcionar a Urgência regional de Ginecologia e Obstetrícia no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a partir das 09h00. A confirmação foi feita aos jornalistas, na mesma ocasião, por Álvaro Santos Almeida.

“A urgência funcionará fisicamente no Hospital de Loures, mas continuará a funcionar no Hospital de Vila Franca de Xira o serviço de obstetrícia e ginecologia, com partos programados, com consulta aberta para doença aguda e todos os outros serviços de ginecologia e obstetrícia", referiu.

O hospital de Vila Franca de Xira deixará de ter urgências e passará a realizar apenas partos programados e consultas abertas para doença aguda não urgente.

Álvaro Santos Almeida adiantou que se trata de "uma urgência centralizada, não é uma transferência da urgência" para o hospital Beatriz Ângelo, apontando que as equipas que fazem urgência em Vila Franca passarão a fazer urgência em Loures. O modelo será avaliado a cada seis meses.

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