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Energia

Associações alertam: se os combustíveis continuarem a subir, preço dos produtos terá de aumentar

12 mar, 2026 - 13:22 • Rita Vila Real

Presidente da ANTROP acredita que "a solução não é aumentar o preço dos transportes, é criar condições para apoiar as empresas, para poderem ultrapassar esta fase extraordinária do aumento dos custos de combustíveis".

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Se os combustíveis continuarem a subir, o preço dos produtos terá de aumentar. É o cenário "dramático" antecipado pela presidente da Antram — Associação de Transportadores de Mercadorias que admite que um setor como o que representa, "que tem uma estrutura de custos com uma dependência de energia de 35%" não tem margens para acomodar a subida do preço dos combustíveis.

"Isto tem de se refletir nas estruturas de custos, e necessariamente reflete-se na forma como nós formamos o preço", diz Ema Leitão.

Os transportes públicos também sentem as dificuldades com a subida do preço dos transportes.

António Cabaço Martins, da Antrop, Associação Nacional de Transportes de Passageiros, explica à Renascença que as empresas estão "a ter mais custos, e não conseguem ter mais receita para compensar esse aumento de custos, daí a gravidade da situação".

Apesar da dificuldade, o presidente da Antrop acredita que "a solução não é aumentar o preço dos transportes, é criar condições para apoiar as empresas, para poderem ultrapassar esta fase extraordinária do aumento dos custos de combustíveis".

O pedido é dirigido ao Governo, para que apoie financeiramente as empresas "para passar esta fase extraordinária". Cabaço Martins tem, contudo, uma visão positiva: "O Governo está sensibilizado para o nosso problema, conhece-o perfeitamente, sabe exatamente quais são as nossas limitações e, portanto, a partir daí, acho que estão reunidas as condições para podermos ter um desfecho positivo."

Descarborização nos transportes: uma realidade distante

"Ao dia de hoje, não há capacidade nem da rede para abastecer, se tudo fosse elétrico, nem da autonomia para poderem andar dia e noite", admite Rui Costa Lopes, da Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros (ARP).

Para o presidente, "a Europa depende completamente da importação de gasóleo", mas a ideia de descarbonizar as redes de transporte "tem de ser uma transição paulatina, até porque se se convertesse todos os autocarros em elétricos, não havia energia suficiente. Se fizessemos o mesmo com todos os caminhões em elétricos, muito menos".

Além da escassez de recursos, a aquisição de veículos elétricos seria "o dobro do custo de aquisição de um veículo a combustível fóssil", afirma Costa Lopes, que reflete ainda que "não há estudos sobre o impacto ambiental pós ciclo de vida de uma bateria de um veículo elétrico".

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