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Dia Mundial do Sono

Portugueses dormem pouco e mal. Uma "bomba relógio" para a saúde

13 mar, 2026 - 07:00 • Anabela Góis

O Dia Mundial do Sono assinala-se esta sexta-feira. De menos energia e concentração, a doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e obesidade, falta de descanso tem consequências a vários níveis. E o problema pode começar na infância.

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Mais de metade da população portuguesa dorme menos do que o aconselhado, de acordo com a Associação Portuguesa do Sono. Fica sistematicamente abaixo da meta recomendada, que é de sete a nove horas para adultos e de nove a 11 para as crianças.

O défice de sono, alerta a pneumologista Daniela Sá Ferreira, tem consequências a vários níveis: “as pessoas sentem-se cansadas ao longo do dia, com menos energia e concentração, o que tem implicações na sua atividade profissional, com maior risco de acidentes sejam laborais ou de viação”.

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Mas os impactos são mais extensos. De acordo com a médica, que preside a Associação Portuguesa do Sono, a falta de descanso também contribui para várias doenças, “nomeadamente, cardiovasculares, quer seja aumento do risco cardíaco ou de doenças cerebrovasculares, mas também síndromes metabólicos, o aumento do risco de obesidade, dificuldade em perder peso, e até problemas ao nível do sistema imunitário, o que resulta num aumento da propensão para infeções”.

A estes problemas, o mercado tem respondido com oferta de cobertores pesados, suplementação, almofadas de memória e aparelhos eletrónicos que se limitam a monitorizar o sono. “Não têm validade científica nem substituem os exames médicos”, alerta a pneumologista.

Problema maior, diz Daniela Sá Ferreira, é o elevado consumo de medicamentos para a insónia. Portugal é um dos maiores consumidores mundiais de Zolpidem, um sedativo que pode provocar adição. E isto acontece, em parte, porque “muitas pessoas querem soluções rápidas, quando é preciso perceber a causa para atuar de acordo”.

E a solução nem sempre passa pela medicação. “Muitas vezes o tratamento passa por mudanças de hábitos e de atitudes. Nós sabemos que as medidas cognitivo-comportamentais são a base, por exemplo, do tratamento da insónia, mas isso implica trabalho e não tem resultados imediatos”, refere a especialista.

Problemas de sono na infância seguem para a vida adulta

Estima-se que cerca de 30% das crianças e adolescentes também têm problemas relacionados com o sono. Daniela Ferreira diz que as queixas são semelhantes às dos adultos e, embora o impacto seja diferente, os riscos são igualmente graves.

“Acarreta problemas de crescimento e de aprendizagem, porque o sono é muito importante para a memória. Nesta altura da vida o descanso é essencial para que o cérebro cresça saudável, mas também para a saúde cardiovascular e física. Se uma criança dorme mal é essencial procurar a ajuda de pediatras que lidam com estes problemas de sono para que os miúdos cresçam saudáveis e para que sejam, no futuro, também adultos saudáveis”, aconselha.

Para interromper o ciclo de insónias, despertares noturnos e cansaço crónico, a presidente da Associação Portuguesa de Sono defende rotinas, de resto, “semelhantes às que usamos para que as crianças durmam mas que depois vamos esquecendo” .

“Temos de ter horários para dormir, o quarto deve estar escuro, silencioso e com temperatura amena", sublinha.

E a “regra de ouro” para o sucesso destas rotinas é a desconexão: "os ecrãs, seja de telemóveis, computadores ou televisões, não devem entrar no quarto e devem ser desligados pelo menos uma hora antes de deitar".

O Dia Mundial do Sono assinala-se sempre na sexta-feira anterior ao Equinócio da Primavera, que este ano é no dia 13 de março. "Dormir bem para viver melhor" é o mote.

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