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Operação “Lúmen”

Secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa detido na operação "Lúmen"

17 mar, 2026 - 10:49 • Olímpia Mairos , com Lusa

Quatro pessoas foram detidas pela Polícia Judiciária (PJ), no âmbito da operação “Lúmen”, por suspeitas de envolvimento num esquema criminoso ligado ao fornecimento e instalação de iluminações festivas, anunciou esta terça-feira aquela polícia.

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O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, será um dos quatro detidos no âmbito da operação “Lúmen”, que investiga um alegado esquema criminoso relacionado com o fornecimento e instalação de iluminações de Natal.

A informação foi avançada pelo Expresso, que refere que o Ministério Público suspeita que Laplaine Guimarães terá beneficiado a Castros Iluminações Festivas em contratos superiores a quatro milhões de euros para as luzes de Natal em Lisboa, entre 2019 e 2025.

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Durante a manhã, fonte da autarquia disse à Renascença não ter ainda confirmação sobre se o funcionário público detido integrava os quadros do município, garantindo, no entanto, “total colaboração com as autoridades”.

Além de Lisboa e da Câmara Municipal da Maia, também as autarquias de Tavira, Trofa e Santa Maria da Feira confirmaram a realização de buscas por parte da Polícia Judiciária.

De acordo com a agência Lusa, que cita fonte judicial, a empresa Castros Iluminações Festivas, sediada em Vila Nova de Gaia, também está entre as visadas pela investigação.

Contactada pela Renascença, fonte da empresa disse desconhecer a investigação.

Segundo fonte judicial, a empresa — que recusou prestar declarações à Lusa — foi alvo de buscas no âmbito da operação “Lúmen”, na qual foi também detida Carla Salsinha, presidente da União de Associações de Comércio e Serviços (UACS).

Carla Salsinha tinha sido reeleita em janeiro para um novo mandato à frente da associação, para o triénio 2026-2029. A UACS é responsável pela contratação da iluminação de Natal do município de Lisboa.

Contactada pela Lusa, a responsável não foi até ao momento possível de ouvir. Fonte da associação indicou que Carla Salsinha não irá prestar declarações.

Câmara de Lisboa acompanha "com serenidade" buscas

O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis, disse que a autarquia está a acompanhar as buscas relacionadas com iluminações de Natal "com toda a serenidade" e a aguardar os resultados das averiguações para atuar.

"Estamos a colaborar com todas as autoridades, acho que deve ser feita toda a recolha de informação e averiguações e nessa altura, com base nos elementos, iremos atuar", afirmou Gonçalo Reis, em declarações aos jornalistas à chegada à reunião de hoje da Assembleia Municipal de Lisboa.

O vice-presidente afirmou que a autarquia está a acompanhar o caso "com toda a serenidade", depois de a Câmara Municipal de Lisboa (CML) ter confirmado que foi alvo de buscas relacionadas com a operação "Lúmen".

PJ levou documentos sobre iluminações de Natal em 2024 e 2025 da Câmara de Ovar

A Câmara Municipal de Ovar confirmou esta terça-feira ter sido alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito da operação “Lúmen”, tendo sido recolhida documentação relacionada com as iluminações de Natal de 2024 e 2025.

Em comunicado enviado à Lusa, o gabinete de comunicação da autarquia refere que recebeu, durante a manhã, inspetores da PJ no âmbito de uma diligência judicial “aparentemente relacionada” com aquela operação.

Segundo a mesma nota, a ação visou a recolha de informação e documentos sobre procedimentos de contratação pública relativos às iluminações e decorações de Natal, adjudicadas nos anos de 2024 e 2025, pelos valores de 78.100 euros mais IVA e 79.460 euros mais IVA, respetivamente.

A autarquia garante que colaborou plenamente com as autoridades desde o primeiro momento, disponibilizando “de forma imediata, integral e sem qualquer reserva” todos os elementos solicitados.

A Câmara de Ovar acrescenta ainda que encara a atuação das autoridades “com total naturalidade”, reafirmando o compromisso com a transparência, o cumprimento das normas legais e a colaboração institucional.

Câmara da Póvoa de Varzim confirma buscas

A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim confirmou ter sido alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária (PJ), mas diz desconhecer o âmbito da investigação, adiantou fonte da autarquia à Lusa.

Estiveram cá durante a manhã, mas não nos foi comunicado o objeto das investigações”, afirmou a mesma fonte.

Segundo a autarquia, a diligência decorreu “com normalidade”, tendo os inspetores solicitado a presença de um funcionário específico, recolhido informações e consultado documentação e contratos antes de abandonarem as instalações.

Quatro detidos

Quatro pessoas foram detidas pela Polícia Judiciária (PJ), no âmbito da operação “Lúmen”, por suspeitas de envolvimento num esquema criminoso ligado ao fornecimento e instalação de iluminações festivas, anunciou esta terça-feira aquela polícia.

Em comunicado, a PJ refere que estão em causa crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa. Entre os detidos estão um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público.

De acordo com a polícia de investigação criminal, a investigação teve origem numa denúncia relacionada com a alegada viciação de procedimentos de contratação pública. “As diligências realizadas revelaram a existência de um esquema criminoso, de caráter organizado e sistémico”, adianta a Polícia Judiciária.

O esquema passava pela obtenção ilegal de informação privilegiada, a troco de contrapartidas financeiras, com o objetivo de favorecer uma empresa nos processos de adjudicação. “Eram garantidas adjudicações à empresa visada em valores que ascendem a oito milhões de euros”, lê-se na mesma nota.

No âmbito da operação, a Diretoria do Norte da PJ realizou 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias em várias zonas do país, abrangendo entidades públicas e privadas.

A operação mobilizou cerca de 120 investigadores criminais, além de peritos informáticos e financeiros e elementos de segurança de várias unidades da PJ, bem como um magistrado judicial e um magistrado do DIAP Regional do Porto.

Os quatro detidos vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e aplicação de eventuais medidas de coação. O inquérito é dirigido pelo DIAP Regional do Porto.

[notícia atualizada às 16h20 de 17 de março de 2026, para acrescentar mais detalhes]

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