VASP alerta para riscos na proposta do Governo sobre distribuição de imprensa
17 mar, 2026 - 14:46 • Olímpia Mairos
Segundo a distribuidora, num momento em que o setor da imprensa enfrenta desafios estruturais profundos, qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição.
A VASP – Distribuição e Logística, S.A. manifestou esta terça-feira preocupação com a proposta do Governo para a distribuição de imprensa, alertando que a medida pode ter “efeitos contrários aos pretendidos”, ao fragmentar um sistema logístico nacional atualmente integrado.
Em causa está o documento divulgado pelo gabinete do ministro da Presidência, que prevê um regime temporário de apoio à distribuição de jornais em territórios de baixa densidade. Em comunicado, a empresa — atualmente a única distribuidora nacional de imprensa em Portugal — considera que a proposta levanta dúvidas injustificadas sobre a sua atuação.
“A VASP manifesta a sua preocupação face ao documento recentemente divulgado”, refere a empresa, sublinhando que tem assegurado, “com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita”.
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A distribuidora recorda que opera num contexto particularmente exigente, marcado por uma quebra continuada de vendas, aumento dos custos operacionais e encerramento de pontos de venda. Ainda assim, garante que tem mantido a operação diária em todo o país.
“Temos assegurado que os jornais continuam a chegar diariamente, de forma atempada, às populações em todo o território nacional”, afirma, destacando o esforço desenvolvido ao longo dos últimos anos.
A empresa mostra-se também surpreendida com o teor do documento oficial, que, diz, “levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações prestadas num espírito de transparência e boa-fé”.
A VASP sublinha ainda que a sua atividade é regulada pela Autoridade da Concorrência e acompanhada por um mandatário de monitorização, garantindo que tem atuado com “rigor, transparência e colaboração institucional”.
Na análise técnica ao modelo proposto pelo Governo, a distribuidora identifica “fragilidades no diagnóstico apresentado” e alerta para um alegado desconhecimento da complexidade do sistema logístico, que envolve operações diárias como recolha nas gráficas, transporte noturno, distribuição capilar, gestão de sobras e pagamentos a editores.
Para a empresa, a fragmentação do modelo atual poderá resultar num aumento dos custos de distribuição e agravar a situação económica dos vários intervenientes do setor.
“O modelo proposto tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos”, alerta, acrescentando que poderá haver impacto direto na sustentabilidade da imprensa diária em banca.
Num setor já marcado por desafios estruturais, a VASP defende que qualquer solução pública deve assentar num “diagnóstico rigoroso” e numa compreensão clara da cadeia de valor da distribuição, sob pena de “acelerar a degradação da rede de distribuição de imprensa” no país.
Como alternativa, a empresa propõe a implementação de incentivos à aquisição de imprensa por entidades como autarquias, escolas e universidades, bem como apoios a pontos de venda e editores, como forma de garantir a sustentabilidade do sistema.
A VASP reafirma, por fim, a sua “total disponibilidade para colaborar com o Governo” e com as restantes entidades do setor, com vista à construção de “uma solução pública realista, informada e sustentável”.
O Governo propõe um novo modelo de apoio à distribuição e venda de imprensa, estruturado em dois pilares, com uma duração prevista de três anos e um financiamento global de 3,5 milhões de euros.
No primeiro pilar, dedicado à distribuição, o apoio será atribuído através de um concurso público internacional, organizado em dois lotes territoriais: o primeiro abrange as regiões do Norte e Centro, enquanto o segundo inclui o Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve.
- Noticiário das 23h
- 14 mai, 2026








