Ouvir
  • Noticiário das 23h
  • 14 mai, 2026
A+ / A-

VASP alerta para riscos na proposta do Governo sobre distribuição de imprensa

17 mar, 2026 - 14:46 • Olímpia Mairos

Segundo a distribuidora, num momento em que o setor da imprensa enfrenta desafios estruturais profundos, qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição.

A+ / A-

A VASP – Distribuição e Logística, S.A. manifestou esta terça-feira preocupação com a proposta do Governo para a distribuição de imprensa, alertando que a medida pode ter “efeitos contrários aos pretendidos”, ao fragmentar um sistema logístico nacional atualmente integrado.

Em causa está o documento divulgado pelo gabinete do ministro da Presidência, que prevê um regime temporário de apoio à distribuição de jornais em territórios de baixa densidade. Em comunicado, a empresa — atualmente a única distribuidora nacional de imprensa em Portugal — considera que a proposta levanta dúvidas injustificadas sobre a sua atuação.

“A VASP manifesta a sua preocupação face ao documento recentemente divulgado”, refere a empresa, sublinhando que tem assegurado, “com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita”.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

A distribuidora recorda que opera num contexto particularmente exigente, marcado por uma quebra continuada de vendas, aumento dos custos operacionais e encerramento de pontos de venda. Ainda assim, garante que tem mantido a operação diária em todo o país.

Temos assegurado que os jornais continuam a chegar diariamente, de forma atempada, às populações em todo o território nacional”, afirma, destacando o esforço desenvolvido ao longo dos últimos anos.

A empresa mostra-se também surpreendida com o teor do documento oficial, que, diz, “levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações prestadas num espírito de transparência e boa-fé”.

A VASP sublinha ainda que a sua atividade é regulada pela Autoridade da Concorrência e acompanhada por um mandatário de monitorização, garantindo que tem atuado com “rigor, transparência e colaboração institucional”.

Na análise técnica ao modelo proposto pelo Governo, a distribuidora identifica “fragilidades no diagnóstico apresentado” e alerta para um alegado desconhecimento da complexidade do sistema logístico, que envolve operações diárias como recolha nas gráficas, transporte noturno, distribuição capilar, gestão de sobras e pagamentos a editores.

Para a empresa, a fragmentação do modelo atual poderá resultar num aumento dos custos de distribuição e agravar a situação económica dos vários intervenientes do setor.

“O modelo proposto tem o potencial de gerar efeitos contrários aos pretendidos”, alerta, acrescentando que poderá haver impacto direto na sustentabilidade da imprensa diária em banca.

Num setor já marcado por desafios estruturais, a VASP defende que qualquer solução pública deve assentar num “diagnóstico rigoroso” e numa compreensão clara da cadeia de valor da distribuição, sob pena de “acelerar a degradação da rede de distribuição de imprensa” no país.

Como alternativa, a empresa propõe a implementação de incentivos à aquisição de imprensa por entidades como autarquias, escolas e universidades, bem como apoios a pontos de venda e editores, como forma de garantir a sustentabilidade do sistema.

A VASP reafirma, por fim, a sua “total disponibilidade para colaborar com o Governo” e com as restantes entidades do setor, com vista à construção de “uma solução pública realista, informada e sustentável”.

O Governo propõe um novo modelo de apoio à distribuição e venda de imprensa, estruturado em dois pilares, com uma duração prevista de três anos e um financiamento global de 3,5 milhões de euros.

No primeiro pilar, dedicado à distribuição, o apoio será atribuído através de um concurso público internacional, organizado em dois lotes territoriais: o primeiro abrange as regiões do Norte e Centro, enquanto o segundo inclui o Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve.

Ouvir
  • Noticiário das 23h
  • 14 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque