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Operação “Chave Dourada”

Oito detidos por burla milionária com casas de “vistos gold”

18 mar, 2026 - 12:12 • Olímpia Mairos

Esquema recorria a documentos falsos para vender casas de investidores estrangeiros sem consentimento; autoridades já recuperaram imóveis e apreenderam 1,5 milhões de euros.

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A Polícia Judiciária (PJ) deteve oito pessoas — cinco homens e três mulheres — suspeitas de integrarem um esquema criminoso que terá lesado cidadãos estrangeiros em vários milhões de euros, através da venda fraudulenta de imóveis em Portugal.

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Em comunicado, a polícia de investigação criminal explica que a operação, conduzida pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, resultou ainda na detenção em flagrante de um homem por posse de armas proibidas.

A investigação teve início em julho de 2025, na sequência de denúncias apresentadas por investidores estrangeiros titulares de Autorizações de Residência por Investimento (ARI), conhecidos como “vistos gold”. Em causa estão casas adquiridas por estes cidadãos que foram vendidas sem o seu conhecimento.

“As casas haviam sido fraudulentamente vendidas, em seu suposto nome e sem o seu consentimento, a desconhecidos”, refere a PJ.

Ainda segundo a polícia, os suspeitos recorriam a documentação falsa — incluindo documentos de identidade, procurações e comprovativos de pagamento — para formalizar contratos de compra e venda.

“A documentação era apresentada a advogados e solicitadores, que procediam à sua autenticação e submetiam eletronicamente o registo predial”, explica a Polícia Judiciária.

Os imóveis passavam assim a estar registados em nome de compradores fictícios ou identidades inexistentes, permitindo aos suspeitos assumir o controlo das propriedades. Depois, alteravam fechaduras e tentavam vender rapidamente os imóveis abaixo do valor de mercado.

Em alguns casos, os imóveis eram novamente transferidos para outros nomes falsos antes da venda final, dificultando o rastreio do esquema. O dinheiro obtido era depois alvo de branqueamento.

“Os montantes eram aplicados na compra e venda de bens, como viaturas de gama alta, ou através de transferências sucessivas e fracionadas entre contas bancárias de várias sociedades”, detalha a PJ.

De acordo com a investigação, o principal suspeito organizava o esquema e recrutava outros elementos que atuavam sob as suas instruções.

Durante a operação “Chave Dourada”, foram realizadas dez buscas na região de Lisboa, com apreensão de automóveis de luxo, dinheiro, equipamentos informáticos e documentação falsa.

Até ao momento, foram recuperados vários imóveis e apreendidos cerca de 1,5 milhões de euros, indica a PJ, acrescentando que a investigação prossegue.

Os detidos, com idades entre os 26 e os 62 anos, serão presentes a primeiro interrogatório judicial, onde serão determinadas as medidas de coação.

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