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Presidente da Gulf Med acusa anterior operador de ter dificultado a saída de pilotos

19 mar, 2026 - 00:28 • Lusa

"A proposta da Avincis custava mais 20 milhões, com aviões de qualidade inferior", disse o presidente da Gulf Med, responsável pelo helitransporte de emergência médica.

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O presidente da Gulf Med, responsável pelo helitransporte de emergência médica, acusou o anterior operador (Avincis) de ter dificultado a saída dos pilotos de que a sua empresa precisava e de ter apresentado uma objeção sem sentido sobre os helicópteros usados.

Ouvido na quarta-feira pelos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o presidente da Gulf Med Aviation Services, Simon Camilleri, disse que o anterior operador, durante o processo de licitação no concurso público internacional, apresentou uma "objeção frívola", alegando que os helicópteros propostos não eram adequados, mas usa aparelhos idênticos para o mesmo serviço noutros países.

"Durante este processo de licitação, o operador anterior apresentou uma objeção de 60 páginas à nossa proposta, argumentando que o Airbus H145 não é adequado para serviços médicos de emergência por helicóptero em Portugal. Esse mesmo operador utiliza o Airbus H145 para serviços médicos de emergência por helicóptero em vários outros países", disse o responsável, na intervenção inicial.

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Questionado pelos deputados, disse que a Gulf Med ganhou porque apresentou o melhor preço, com aeronaves "topo de gama, novas".

"A proposta da Avincis custava mais 20 milhões, com aviões de qualidade inferior", acrescentou o responsável, que disse que a empresa que dirige tem "um plano maior para Portugal", que pode ser "uma grande base para outros serviços, como reparações técnicas ou manutenção de helicópteros".

Questionado pelos deputados, disse que a empresa sempre agiu de boa-fé e estava pronta para cumprir o contrato assinado em março com o INEM, mas que apenas podia avançar com todas as condições exigidas após a ratificação do Tribunal de Contas, que aconteceu um dia antes do arranque do serviço de helitransporte, a 1 de julho de 2025.

Ainda questionado sobre as dificuldades encontradas pela Gulf Med para, de facto, não ter conseguido ter todos os helicópteros previstos prontos a funcionar a 1 de julho de 2025, como definia o contrato principal, apontou a formação dos pilotos, sublinhando que estes profissionais não puderam começar a formação com a Gulf Med até terem sido libertados pelo anterior operador, "que dificultou muito a sua libertação".

No passado mês de fevereiro, o Tribunal de Contas, apesar de considerar legal o ajuste direto que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) fez em julho passado com a Gulf Med, para garantir que não havia interrupção na operação de helitransporte, os juízes disseram que querem que o tribunal fiscalize como o instituto vai aplicar a multa por incumprimento do contrato principal, assinado um mês e meio antes.

No acórdão, o tribunal fala num "incumprimento temporário" por "facto imputável à Gulf Med" do contrato assinado em maio passado com a empresa, na sequência de um concurso público, e que a obrigava a garantir o funcionamento de quatro helicópteros de emergência médica 24 horas por dia, a partir de 1 de julho passado.

A este respeito, o presidente da Gulf Med lamentou que o Tribunal de Contas tenha tomado decisões sem ouvir a empresa, disse que esta se sente injustiçada e vai recorrer das penalizações que forem aplicadas.

Disse ainda que a Gulf Med Aviation Sevices "financiou o Estado português" durante meses, pois prestou o serviço com "helicópteros no ar, equipas de plantão e pacientes transportados sem receber um único euro".

"Aproximadamente oito milhões de euros de capital próprio, aplicados ao serviço do povo português. Sem qualquer garantia de quando seremos pagos", disse o responsável, acrescentando: "Nós nunca fomos embora", numa referência às empresas contactadas pelo INEM para o ajuste direto, incluindo a Avincis, que não aceitaram.

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