Fenprof exige (de novo) negociar carreira docente
20 mar, 2026 - 12:42 • João Cunha
Professores e educadores realizaram, esta manhã, um cordão humano em Lisboa, para entregar ao primeiro-ministro cerca de 15 mil postais, exigindo a valorização da carreira docente e um investimento reforçado na escola pública.
A falta de atratividade da profissão, o envelhecimento dos quadros e as dificuldades de recrutamento e retenção continuam a marcar o setor da Educação, num conjunto de problemas estruturais que, segundo a Federação Nacional de Professores (Fenprof), exigem respostas urgentes.
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Nas últimas semanas, a federação promoveu a recolha de assinaturas em postais onde estas preocupações são expressas, no âmbito da Caravana Nacional “Somos Professores. Damos rosto ao futuro!”, que percorreu o país entre fevereiro e março para denunciar a degradação das condições de trabalho. Os postais foram assinados não só por docentes, mas também pela “sociedade civil”.
Esta sexta-feira, professores e educadores realizaram um cordão humano entre o Jardim da Estrela e a residência oficial do primeiro-ministro, onde entregaram cerca de 15 mil postais recolhidos durante a iniciativa.
A mobilização surge num momento em que os sindicatos intensificam a pressão sobre o Governo, defendendo que o reforço do investimento na Educação é “a única via” para responder à escassez de professores que continua a afetar as escolas.
E, por isso, exigem ao Governo “compromissos concretos para a recuperação da dignidade da carreira”, como explicou José Feliciano Costa, secretário-geral da Federação Nacional de Professores. Em causa está, nomeadamente, o avanço da revisão do estatuto da carreira docente.
“Que esse processo comece a andar noutro sentido, com uma valorização da carreira. Outro alerta que vamos deixar aqui hoje é que os professores estão disponíveis para lutar por esse estatuto da carreira e, portanto, não abdicam da luta, que vai continuar e que se vai agudizar no terceiro período”, garantiu.
De acordo com o dirigente sindical, as propostas apresentadas pelo Governo “são negociações à peça, por partes, em vez de um documento global e coerente, e não no sentido de investir no setor”. Pelo contrário, critica, “as propostas vão no sentido de diluir a especificidade da profissão docente, desvalorizando a carreira”.
A Fnprof denuncia ainda um “desinvestimento muito grande nas escolas”, com “milhares de alunos sem aulas, diariamente”, e deixa um aviso: “O corpo docente está envelhecido e, dentro de cinco ou seis anos, um terço desse corpo docente reforma-se, abandonando a carreira”.
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