Alimentação
Subida dos custos com fertilizantes ameaça preços dos alimentos
20 mar, 2026 - 07:20 • Hugo Monteiro
O consultor para área agrícola e alimentar Pedro Santos diz à Renascença que produtos como os cereais, o arroz, as frutas ou as hortícolas podem, a médio prazo, subir de preço, devido aos aumentos quase diários dos fertilizantes.
Os preços dos fertilizantes para a produção agrícola "estão a mudar de duas a três vezes por semana" e, no caso dos "adubos azotados, ou seja, os mais comuns, os preços já aumentaram para o dobro ou para o triplo".
O retrato é feito à Renascença pelo consultor para a área agrícola e alimentar Pedro Santos, que conta que, face à instabilidade atual, "os fornecedores de fertilizantes deixaram mesmo de dar preço aos agricultores".
"Se eu quiser comprar fertilizantes, dão-me um preço hoje, mas não me garantem que o preço seja o mesmo amanhã", revela o também diretor geral da Consulai - empresa de consultadoria - que admite que estes aumentos, para além da subida dos combustíveis, irão, naturalmente, repercutir-se no preço final dos produtos alimentares.
Pedro Santos explica que o petróleo e o gás natural, que continuam a aumentar quase diariamente, têm um papel fundamental na produção dos fertilizantes, o que está a torná-los cada vez mais caros. Por sua vez, os fertilizantes têm "um peso preponderante na agricultura", sendo que, "com a exceção do custo com o pessoal", é a "a rubrica mais importante na produção".
"Por exemplo", diz, "os fertilizantes e os fitofármacos representam cerca de 30% a 35% dos custos na produção do arroz, 40% no trigo e entre 20% e 25% em frutos como a maçã e a pera".
Estes aumentos afetam, "com particular impacto", a produção de "trigo, arroz e milho", mas também "as hortícolas e as frutas" e "quanto mais tempo durar esta instabilidade no Médio Oriente, mais complicadas as coisas vão ficar", assinala Pedro Santos.
Este especialista prevê que, por esta razão em específico, os preços dos produtos nos supermercados podem ficar mais caros ao longo do ano, dependendo dos ciclos de produção. "A partir de junho temos colheitas de trigo, pelo que o impacto desse aumento de custo da produção no consumo e no produto final refletir-se-á em 15 dias ou um mês".
Já no caso de frutas como maçã e peras "que se colhem em agosto e em setembro, teremos um reflexo disso logo a partir dessa altura no consumidor final". E quanto a outros produtos, como a vinha ou o azeite, "só mais para o final do ano é que será refletido".
Perante este quadro, e para mitigar estes aumentos para os consumidores, o consultor para a área agrícola e alimentar defende o regresso a medidas já adotadas no passado, como o IVA zero, a isenção de taxas ou a redução de impostos ligados a fatores de produção, e "quanto mais rápido, melhor para controlar os efeitos".
- Noticiário das 3h
- 14 abr, 2026








