Manifestação Habitação
"Montenegro foca-te na habitação". Manifestação junta mil pessoas no Porto
21 mar, 2026 - 17:44 • Henrique Cunha
Raquel Ferreira, da Plataforma Casa Para Viver, considera "absurdo" dizer que 2.300 euros é um valor de renda moderado e garante que este tipo de manifestações irá continuar “durante o tempo que for preciso”.
“Montenegro presta atenção, deixa o pacote e foca-te na habitação” ou “já não dá para continuar sem uma casa para morar”: foram algumas das frases mais ouvidas na manifestação deste sábado que juntou mais de mil pessoas na Praça da Batalha, no Porto.
Raquel Ferreira, da Plataforma Casa Para Viver, sublinha a forte mobilização e garante que este tipo de manifestações irá continuar “durante o tempo que for preciso”: “Nós viremos para a rua durante o tempo que for preciso”, reforça.
“É absurdo dizer que 2.300 euros é um valor de renda moderado, quando no nosso país a maioria das pessoas, a maioria dos trabalhadores ganha até mil euros por mês. Isto só mostra a falta de noção por parte de quem nos governa relativamente à sitiuação da maioria da população”, acrescenta a manifestante.
Vizinhos em Vias de Extinção contra "gentrificação"
Por sua vez, Patrícia Figueiredo, da plataforma Vizinhos em Vias de Extinção (VVE), critica o que considera “uma gentrificação atroz” na baixa do Porto por força do turismo.
Patrícia assegura que não se trata de nenhum caso de turismofobia, mas afirma que se “perdeu o espirito de comunidade por falta de residentes permanentes na baixa, o que leva à desfragmentação da comunidade”. “E se juntarmos a isso o roubo dos serviços públicos para o serviço ao turista como temos agora o Mercado do Bolhão ou a décima segunda esquadra de Cedofeita, e a baixa e o centro histórico do Porto com esta pressão absurda de venda para o turista, vemos que nós moradores estamos a ser utilizados como meras peças de figuração, nesta cidade vendida internacionalmente”, reforça.
A responsável insiste na ideia de que os portuenses estão a ser colocados “numa postura de figurantes” e denuncia que “os equipamentos públicos, inclusive o hospital de Santo António está com serviços comprometidos por causa da quantidade de eventos que são promovidos nessa área do território”. “Nós somos a favor de um turismo saudável”, e muitos dos nossos elementos trabalham no turismo, mas naquele turismo que os nossos vizinhos admiram que sentem que os protege e que os fortalece”.
“O turismo é um negócio como outro qualquer, mas insisto tem de fortalecer a comunidade”, conclui.
- Noticiário das 19h
- 19 mai, 2026








