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"Bomba-relógio: dentro de 50 anos haverá meio milhão de portugueses com demências"

23 mar, 2026 - 19:28 • Anabela Góis

Projeto PATEO propõe um novo modelo de habitação colaborativa e cuidados domiciliários, com base tecnológica, para travar a demência, através da promoção da autonomia e do convívio comunitário.

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"Bomba-relógio: dentro de 50 anos haverá meio milhão de portugueses com demências"
Neurologista Marcelo Mendonça alerta para "bomba-relógio" nas demências. Foto: Stephanie Lecocq/EPA (arquivo)

O diagnóstico está feito: as demências são um problema social e económico que a sociedade tem de enfrentar e para o qual ainda não há soluções sustentáveis. Para resolver o problema é agora apresentado o PATEO, projeto que nasce de um consórcio de parceiros, que inclui a Alzheimer Portugal, o Atelier Peninsular, a Casa do Impacto, o Instituto S. João de Deus, o ISCTE, a NOVA Medical School, a Rede Capital Social e a Fundação Champalimaud.

Trata-se de um novo modelo de habitação colaborativa e cuidados domiciliários, com base tecnológica, para travar a demência, através da promoção da autonomia e do convívio comunitário.

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O projeto PATEO - Pessoas com Autonomia, Teto, Espaço e Oportunidade resulta de dois exemplos que existem, com bons resultados: o Home360, do Instituto S. João de Deus, dirigido a pessoas com demência e cuidadores informais; e a Casa, uma cooperativa habitacional para cidadãos seniores.

Marcelo Mendonça, neurologista e investigador principal deste estudo, explica que “o ambiente é determinante na mudança de comportamentos. Se pessoas com as mesmas preocupações partilharem ambientes, mais facilmente se organizam para adotarem comportamentos de saúde”.

Se nos organizarmos em conjunto, com novas soluções de habitação, isto provavelmente reduz o nosso risco individual de ter demência

Por isso, conclui, “se nos organizarmos em conjunto, com novas soluções de habitação, isto provavelmente reduz o nosso risco individual de ter demência, e se viermos a ter demência, provavelmente também vamos ter uma progressão mais lenta, porque é uma evidência que a estimulação cognitiva, a atividade física e a atividade social, reduzem a progressão da demência".

Vice-diretor do Centro de Neuroterapêutica Digital e do Grupo do Programa de Neurociência na Doença na Fundação Champalimaud, Marcelo Mendonça avisa que “se estamos à espera de que haja lares de idosos para todos, o país está condenado. Não vai acontecer. Apostar na construção de lares, não vai resolver o problema, porque isto é uma bomba-relógio: daqui a 50 anos teremos meio milhão de portugueses dementes”.

E por isso defende que é preciso reverter a lógica e apostar em alternativas. Os resultados deste estudo vão ser apresentados numa conferência na Fundação Champalimaud, no dia 27 de março, que vai juntar decisores políticos e agências financeiras de impacto social, porque - sublinha - a ideia não é “ pedir empréstimos aos bancos, mas envolver neste projeto agências financeiras de impacto social, que podem apoiar as pessoas que se organizam para construir estas habitações colaborativas” . E lembra que um dos casos em estudo – o Home360 - é um exemplo português real, para concluir que “pode ser difícil mas é possível”.

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