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Estudantes na rua para exigir gratuitidade no ensino superior e mais alojamento

24 mar, 2026 - 18:48 • Marisa Gonçalves , com Lusa

Centenas de alunos marcham até à Assembleia da República. "Queremos um ensino superior para todos e cada vez há menos estudantes a entrar no ensino superior e os mais pobres são mais suscetíveis e não conseguem entrar", alertam.

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Largas centenas de estudantes universitários de todo o país manifestam-se esta terça-feira em Lisboa pela gratuitidade no ensino superior, melhores bolsas e mais alojamento.

No dia nacional do estudante, que hoje se assinala, mais de 50 estruturas do Movimento Associativo Estudantil (MAE) de diferentes zonas do país, entre associações de estudantes, associações académicas, núcleos, grupos académicos, tunas e comissões de residentes, participam na manifestação que começou no Rossio e vai terminar em frente à Assembleia da República.

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"Queremos um ensino superior para todos e cada vez há menos estudantes a entrar no ensino superior e os mais pobres são mais suscetíveis e não conseguem entrar", disse à Lusa o porta-voz da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, uma das organizadoras da manifestação, Vasco Josué.

Cerca de 45 mil alunos ficaram este ano colocados numa instituição de ensino superior através do concurso nacional de acesso, que mostrou que há menos cinco mil caloiros do que no ano anterior, segundo os resultados da última fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

Vasco Josué defendeu ainda a gratuitidade das propinas, referindo que a sua bolsa é insuficiente e que sobram apenas 20 euros e pouco para a alimentação.

O protesto junta largas centenas de estudantes de várias zonas do país e entre os cartazes destacam-se as frases: "com as residências da FCT [Faculdade de Ciências e Tecnologias] por abrir, onde vamos dormir?" e a "Educação é um direito".

"Preço médio de um quarto chega aos 400 euros"

Vitória Carvalho, de 19 anos, é estudante da Universidade do Minho. É também uma repetente neste protesto e volta a erguer a bandeira do alojamento universitário.

“No que toca às residências, por exemplo, há uma série de coisas que precisam mesmo de avançar. Há três residências, na região de Braga que estão em atraso, prometidas para o ano passado e que ainda não estão construídas. E é das regiões do país onde há mais estudantes deslocados a serem empurrados para o mercado privado onde o preço médio de um quarto chega aos 400 euros. É muito difícil”, refere à Renascença.

Ao lado, João Dias, estudante deslocado em Lisboa e aluno da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, entende que há cada vez mais razões de protesto, a começar pelos apoios sociais.

“Não há bolsas suficientes, não há residências suficientes, não há ação social suficiente e isso está mais do que evidente no decréscimo de candidaturas ao Ensino Superior, no abandono escolar e tem de se lutar contra isso, com a ação social”, afirma à Renascença.

Durante a manifestação ouviram-se ainda tambores e gritos como " Ação social não existe em Portugal" e "bolsas sim propinas não!".

Presente no protesto, Idalgízio Gomes, aluno de engenharia eletrotécnica e de computadores do Instituto Politécnico de Cávado e do Ave, defendeu que a falta de alojamento é um dos principais problemas do ensino superior.

Segundo o aluno, em Barcelos, onde fica o instituto, está a ser construída uma nova residência há três anos, considerando que o problema da falta de alojamento se está a agravar.

Na manifestação estiveram presentes estudantes do norte ao sul do país, como referiu à Lusa o presidente da federação académica de Lisboa, Pedro Neto Monteiro, que apelou a uma maior representatividade dos estudantes no âmbito do regime jurídico das instituições de ensino superior para que "possam ter mais voz".

Solidário com a manifestação estudantil, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, disse que sua presença é um "ato de solidariedade para com os estudantes" do ensino secundário, que estão numa semana de luta e com os do superior.

"Os do superior têm razão para estarem na luta por melhores condições de estudo e têm ainda o problema das propinas. O Governo quer impor uma linha em que quem tem dinheiro estudo e quem não tem fica de fora", criticou.

No início da manifestação, o coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, disse que o partido associa-se por inteiro aos estudantes que saem hoje à rua para dizer que as condições em relação ao custo de vida e da habitação "que lhes são dadas são absolutamente insuportáveis".

A deputada única do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) disse também que se coloca ao lado dos estudantes, alertando que não se pode esquecer dos pedidos dos estudantes, "seja no seu pedido para as propinas gratuitas, seja no âmbito do alojamento".

Ao PAN, juntou-se a deputada do Livre Patrícia Gonçalves, que referiu "que há problemas muito grandes de alojamento".

No mesmo dia em que os estudantes defenderam o fim das propinas, gritando "propinas dói", o ministro da Educação, Fernando Alexandre, voltou a defender um aumento do valor das propinas no ensino superior.

Por volta das 16:40, no final da manifestação os estudantes concentram-se em frente à Assembleia da República, muitos também com cravos vermelhos como referência ao 25 de abril, onde foi feito um apelo ao Governo para que não gaste dinheiro em guerras, mas sim no ensino.

Em 1987, a Assembleia da República Portuguesa declarou o dia 24 de março como o Dia Nacional do Estudante.

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  • Gratuito?
    25 mar, 2026 Alguém tem de o pagar 09:39
    Na Rua, é onde eles gostam de estar, na Rua e nas festarolas. Tudo menos estar nas aulas. E gratuitidade? O que é isso? Se não pagam eles, pagamos todos com impostos, nada é gratuito. Não há borlas.

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