Preço das viagens aéreas sobe até 20% com guerra no Médio Oriente
24 mar, 2026 - 18:17 • Anabela Góis
Presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens alerta que, "em breve, também a hotelaria vai sentir o impacto do aumento dos preços", e já nota um desvio dos fluxos turísticos.
O preço das viagens aéreas de Portugal para a Europa aumentou, em média, 4%, e para Ásia e Estados Unidos a subida chega aos 20%, desde o início da guerra no Médio Oriente, a 28 de fevereiro.
A ofensiva contra o Irão teve como efeito uma subida do petróleo, que fez disparar o preço do jet fuel usado pelos aviões, que aumentou 76% nas últimas semanas.
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Em declarações à Renascença, Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), diz que não há fuga possível, uma vez que “o combustível representa entre 25 % e 35% dos custos da operação das companhias aéreas”.
A ANAV acredita que a forma como as empresas adquirem o combustível faz toda a diferença: “as companhias aéreas europeias negoceiam, tipicamente, a um ano, com mercados de futuro, portanto o preço do jet fuel é sempre muito estável durante o período do ano".
"Já quando falamos para destinos de longo curso, essencialmente a Ásia e Estados Unidos, notamos taxas de aumento superiores, falamos de 10%, com alguns destinos a registarem aumentos de preços da ordem dos 20%, porque essas companhias optam por negociações de jet fuel de curto prazo, o que tem um impacto maior”, sublinha.
Nesta altura, os preços das viagens estão ser duplamente penalizados: a juntar ao preço dos combustíveis a guerra está a levar os viajantes a procurarem outros destinos, alguns ficaram mais distantes para evitar os aeroportos de Abu Dhabi, Doha e Dubai, por onde passavam perto de 200 milhões de passageiros e outros passaram a sofrer uma pressão maior devido ao aumento da procura, o que também faz subir os preços.
Segundo Miguel Quintas, “em breve também a hotelaria vai sentir o impacto do aumento dos preços, porque os preços de custo energético também afetam o setor do alojamento”.
Estamos a assistir a um desvio dos fluxos turísticos. O presidente da ANAV indica que os beneficiados são os países a Oeste da guerra: “estamos a falar da República Dominicana, México, Brasil, que está a surgir com muita vitalidade, Cabo Verde e Tunísia. Aqui ao lado, em Espanha, também começámos a sentir uma maior procura de turistas para as ilhas”.
- Noticiário das 6h
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