Cesarianas atingem número recorde no SNS em 2025. “Ninguém faz uma cesariana que não seja necessária”, garante especialista
25 mar, 2026 - 10:30 • Hugo Monteiro , Olímpia Mairos
Especialistas apontam gravidezes mais tardias e maior complexidade clínica como fatores para o aumento das cirurgias.
O número de cesarianas realizadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) atingiu um novo máximo no último ano, com cerca de 22 mil procedimentos, segundo dados avançados pelo jornal Público. O valor representa um aumento de 5% face a 2024.
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Para o presidente da Comissão de Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, Alberto Caldas Afonso, esta tendência está relacionada com mudanças no perfil das grávidas e não com falhas no sistema de saúde.
“Nomeadamente, hospitais de nível mais diferenciado recebem senhoras que têm maior número de comorbidades, portanto, que não são de facto gravidezes ditas normais”, explica.
O responsável acrescenta que “a idade com que neste momento se tem o primeiro filho” é também um fator relevante, sublinhando que “há uma série de fatores que não havia na década anterior”.
Norte com números elevados, apesar de estabilidade nos serviços
Apesar das dificuldades sentidas nalgumas regiões, Caldas Afonso rejeita que a escassez de obstetras esteja na origem do aumento das cesarianas. Como exemplo, aponta o Norte do país, onde os números são dos mais elevados.
“Essa tendência no Norte não seria, não é? Porque, como sabe, no Norte nunca fechou nenhuma urgência, no Norte as equipas têm sempre estado a trabalhar sem qualquer tipo de restrições”, afirma, concluindo que “não é por aí” e que essa associação “não faz sentido”.
Taxa considerada adequada à realidade atual
O especialista diz não estar surpreendido com os dados e considera que a taxa de cesarianas é ajustada ao contexto atual.
“A taxa de cesarianas é, mesmo assim, perfeitamente adequada àquilo que é a realidade que temos”, defende, levantando, no entanto, dúvidas sobre os números fora do setor público. “Gostava era de perceber quais são os números […] fora do SNS”, sublinha.
Ainda assim, garante que, no SNS, as decisões são tomadas com base em critérios clínicos. “Não tenho dúvidas nenhumas de que uma cesariana é feita no sentido de proteger o feto e garantir a segurança da gravidez”, afirma.
Segurança da mãe e do bebé em primeiro lugar
Caldas Afonso reforça que a prioridade é sempre a segurança da mãe e do bebé, afastando a ideia de decisões motivadas por metas estatísticas.
“Quando estamos a falar de segurança para a mãe e para o feto, ninguém vai fazer uma cesariana que não seja necessária”, assegura. O médico admite, ainda assim, que existe margem para respeitar as preferências das mulheres: “Tenho que respeitar a vontade da mãe, a vontade que o parto decorra com a sua expectativa.”
Alberto Caldas Afonso foi o responsável pela reorganização da rede de maternidades na Península de Setúbal e acompanha de perto a evolução dos indicadores na área da saúde materna.
- Noticiário das 2h
- 14 abr, 2026








