Acusação de peculato
Isaltino: "Estamos a falar de almoços de trabalho", muitos deles do tempo da Covid
25 mar, 2026 - 12:17 • Ana Kotowicz
A maior parte das faturas são do tempo da pandemia, diz Isaltino Morais. E almoços de trabalho, argumenta, acontecem quase todos os dias.
Isaltino Morais refutou, esta quarta-feira, todas as acusações de peculato do Ministério Público, que envolvem cerca de 150 mil euros gastos em refeições. Foram almoços de trabalho, disse o presidente da Câmara Municipal de Oeiras aos jornalistas, e a maioria diz respeito ao tempo da pandemia de Covid-19. Os almoços "lúdicos" são pagos do seu próprio bolso, garantiu Isaltino.
A Câmara de Oeiras já tinha refutado "suspeitas e acusações" do Ministério Público contra Isaltino Morais e 22 responsáveis municipais, devido ao gasto de 150 mil euros em mais de 1.400 refeições pagas pelo município, entre 2017 e 2024, reiterando que "sempre agiu dentro da legalidade".
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"Na verdade, está tudo esclarecido, não é? Quer dizer, o comunicado da Câmara, de alguma forma, diz tudo, não é?", respondeu Isaltino Morais aos jornalistas, em Oeiras, frisando que as imagens divulgadas do autarca a almoçar eram de refeições lúdicas.
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"Foram buscar imagens — que eu só vi há pouco —, imagens minhas a almoçar, publicadas por mim nos meus vídeos, não é? Esses almoços são pagos por mim. Quer dizer, essa dimensão lúdica, de divulgação de restaurantes, não tem nada a ver com a Câmara Municipal", esclareceu Isaltino Morais.
Na sua argumentação, defendeu que é habitual oferecer almoços a quem vem, por vezes até de outras câmaras, ver o trabalho desenvolvido pela autarquia de Oeiras. "Um diretor da Câmara faz uma reunião com outro diretor da Administração Central para resolver um qualquer problema. Oferece-lhe um almoço. Ora bem, é disto que estamos a falar. Aliás, temos aqui casos de acusações de peculato por 70 euros, quer dizer, e até menos."
Por isso, defende, tratam-se de almoços de trabalho. "Os ditos almoços de trabalho são, obviamente, frequentes — senão todos os dias, com alguma regularidade. Reuniões que se prolongam até às 16h e, nessa altura, vai-se almoçar. Visitas ao concelho que se prolongam até às 15h, não é? O representante da câmara vai almoçar e, naturalmente, a câmara oferece o almoço a esses participantes."
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Além disso, Isaltino argumenta que boa parte das faturas analisada ocorreram durante a pandemia. "No período da Covid-19, a maior parte destas faturas é justamente desse período, em que muitos restaurantes estavam fechados e não serviam ao público, apenas havia takeaway", e isso, diz Isaltino, explica que, por vezes, haja refeições que foram compradas em diferentes restaurantes.
"Na altura da Covid... por exemplo, há uma coisa que chama a atenção porque, num caso, era uma massada de peixe e, ao mesmo tempo, frango assado. Se estão 10 ou 12 pessoas à mesa e há uma que é alérgica a isto ou àquilo e quer comer frango, com certeza que se vai pedir também frango numa churrasqueira onde há frango, não é? Não se vai pedir frango assado numa casa de comida indiana", argumenta o presidente de câmara.
Quanto a vários almoços em simultâneo, defende que se ele, Isaltino, estiver a receber um presidente da câmara, um diretor-geral ou um ministro irá oferecer-lhe o almoço, enquanto que, ao mesmo tempo, o vice-presidente ou o vereador da Ação Social ou do Desporto está a receber outra pessoa e também lhe oferece o almoço.
"É natural que haja, no mesmo dia, vários almoços" e Isaltino Morais considera natural que sejam acompanhados de bebidas alcoólicas. "Quanto às bebidas alcoólicas, o vinho é alcoólico, de facto, e, portanto, são refeições normais — não se vai dizer a uma pessoa para não beber vinho."
Na sua opinião, o importante saber é o seguinte: "O que são estas refeições? Estas refeições fazem parte da atividade administrativa normal de uma Câmara Municipal. Sempre existiram. Todos os dias existem."
- Noticiário das 2h
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