Ouvir
  • Noticiário das 22h
  • 19 mai, 2026
A+ / A-

Deco Proteste

Combustível mais barato estraga os motores? “Não temos conhecimento de mais carros na beira da estrada”

27 mar, 2026 - 07:00 • Isabel Pacheco

DECO Proteste desconstrói o mito e garante que combustíveis simples são todos iguais. Empresas de combustível justificam diferença de preço com as regras do mercado.

A+ / A-
Combustível mais barato estraga os motores?
Combustível mais barato estraga os motores?

Carla Patricia acredita que há “alguma diferença” entre os diferentes combustíveis à venda, mas garante que nos tempos que correm – com o preços dos combustíveis a disparar por causa guerra no Irão – não tem alternativa.

“Se as pessoas não vão ao combustível mais barato, como é que vai ser a vida?”, questiona.

Já para Hugo é tudo “uma questão de confiança”. O jovem prefere “não poupar” para prevenir gastos maiores mais tarde. Segue as regras do que lhe dizem. “Até mesmo os mecânicos acabam por dizer que os combustíveis – sendo menos aditivados – acabam por fazer mal ao motor e depois acabamos por gastar na manutenção mais à frente."

O mesmo argumento é usado por Pedro Fonseca que conta já ter tido más experiências com o combustível denominado por “low cost”. Esse tipo de combustível “acaba por entupir os injetores porque tem mais quantidade de lixo”.

Prefiro continuar a pagar mais um bocado e manter a qualidade dos carros”, diz.

O pai de Pedro, Vasco Fonseca, remata a conversa: “O que é barato, remedeia, mas as coisas mais caras são melhores. É por isso que tem de haver uma diferença de preços, não é?...”

Mas, na realidade, todo combustível simples comercializado em Portugal tem de cumprir os mesmos requisitos. A garantia é deixada pelo analista de energia da Deco Proteste, Pedro Silva, que garante tratar-se de um “mito” a ideia de que o gasóleo ou a gasolina simples, por serem mais baratas, podem prejudicar o motor dos carros.

Não há combustível à venda que não obedeça a uma legislação rigorosa que estabelece a qualidade do combustível tem que ter para ser comercializado”, garante o especialista adiantando que, desde 2015 altura em que passou a ser obrigatório os postos disponibilizarem combustível simples, para além do aditivado não há registo de queixas.

“Não nos tem chegado aqui, ao à Deco Proteste, conhecimento de mais avarias, mais carros na beira da estrada que não andam, contas mais elevadas de mecânico”, assegura.

Rotulamos, de facto, de mito a questão de o combustível simples possa, de alguma forma, danificar ou ser problemático para o motor do dos veículos”, enfatiza.

Outra opção no mercado é o combustível com aditivos. Ainda assim, sublinha Pedro Silva, não há provas de que seja efetivamente melhor. “Não apuramos qualquer benefício adicional, ou quando há, será marginal”, adianta, defendendo que “existindo uma alegação” é preciso que “seja comprovada”.

É como aqueles iogurtes que têm lá bichinhos de imunidade”, compara. “Tenho de provar que, de facto, aquilo está lá dentro e que tem o efeito de evitar algum tipo de doença ou prevenir”, exemplifica insistindo que não chegam as alegações.

Já sobre os pontos de combustíveis denominados por low cost, o preço mais acessível justifica-se “numa lógica em que os operadores apostam num maior volume e de um transito mais rápido dentro das suas instalações”. Estas condições permitem “baixar o custo marginal do combustível, uma vez que conseguem abranger ou fazer muito mais abastecimentos”.

A verdade é que a diferença de preço pode chegar aos 30 cêntimos por litro de gasóleo ou aos 20 cêntimos no caso da gasolina. António Comprido da EPCOL - Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes - justifica as diferenças no custo com o funcionamento do mercado.

“O mercado está liberalizado e cada operador tenta colocar-se na melhor posição possível e fazer a melhor oferta possível ao consumidor”, assinala.

Compete aos consumidores escolherem", defende, acrescentando: "A informação que existe disponível sobre os preços dos combustíveis não tem comparação com qualquer outro produto de grande consumo."

Ouvir
  • Noticiário das 22h
  • 19 mai, 2026
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque