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“Guerras são como telenovelas mexicanas. Estão sempre na televisão”:150 pessoas em Lisboa em caminhada pela paz

29 mar, 2026 - 19:39 • Alexandre Abrantes Neves

A iniciativa silenciosa serviu para alertar para as guerras interiores e exteriores, desde os conflitos armados até à saúde mental e ao ódio online. "No silêncio, somos todos unos e acabam as divergências políticas e religiosas", defendeu-se na caminhada entre o Parque Eduardo VII e o Terreiro do Paço.

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“Guerras são como telenovelas mexicanas. Estão sempre na televisão”.150 pessoas em Lisboa em caminhada pela paz
Ouça aqui alguns testemunhos recolhidos pela Renascença. Foto: Alexandre Abrantes Neves/RR

Paulo Borges vê o mundo como uma enorme teia, onde tudo está ligado, especialmente no que toca a conflitos. “A falta de paz interior, o agravamento da saúde mental, os conflitos a nível psicológico e emocional que, na nossa opinião, são as raízes dos problemas que a humanidade enfrenta nesta ‘policrise’ da civilização contemporânea”.

É um dos organizadores da marcha que juntou na tarde deste domingo cerca de 150 pessoas, entre o Parque Eduardo VII e o Terreiro do Paço. Logo pelas duas da tarde, a mancha branca que se destacava do relvado deixava logo a pista de que se tratava de uma ação virada para a paz.

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Mas, na cabeça dos participantes, não é só o Irão, nem a Palestina, nem a Ucrânia que ressoam. São as “dores” de todos.

Se as pessoas não estão bem interiormente, não podem senão manifestar isso exteriormente sob a forma de conflitos de todo o tipo”, aponta Paulo Borges. “Não houve apenas a pandemia do Covid-19, mas há uma pandemia do conflito mental, do discurso do ódio, da sensação de separação entre nós e os outros, portanto os bons e os maus, há esta adversidade constante”.

Tudo isso pairou durante o tempo de meditação, que durou uma hora e deu o pontapé de saída à iniciativa e onde participou Rita Goldrajch, sempre com duas flores brancas na mão.

“Eu costumo dizer que as guerras são telenovelas mexicanas, todos os dias e a toda a hora. Estão sempre na televisão com os grandes poderosos deste mundo, que é esta luta por poder e que traz a guerra”, lamenta.

A solução, diz, é só uma: parar e encontrar respostas no silêncio. “No silêncio, nós somos todos unos e acabam as divergências políticas, religiosas, de todo o género e mais algumas. Mas eu sou muito esperançosa que com as novas gerações vai acabar”.

É uma visão partilhada por Ricardo Branco. “Se nós soubermos que somos 'um com todos' – eu magoo-te a ti, eu estou a magoar-me a mim, se eu apoiar-te a ti, eu estou a apoiar-me a mim – e o oposto também: se eu me magoar a mim, estou a magoar -tea ti, se me apoiar a mim, estou a apoiar a ti… Com essa consciência conseguimos transformar-nos para um mundo melhor”.

A marcha – que incluiu um momento de homenagem a “todas as vítimas das guerras interiores e exteriores” junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra na Avenida da Liberdade – contou com “cerca do dobro” dos manifestantes da edição do ano passado. Para a organização, é sinal de que há cada vez mais famílias a aderirem.

“Apostamos muito na importância que as famílias e os pais têm em transmitir estes valores, neste caso a paz, às crianças. É uma alternativa positiva e saudável a esta situação dramática e lastimável do mundo”, remata Paulo Borges.

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