APAV
"Comportamentos muito propagados online" podem ajudar a explicar aumento das violações em Portugal
31 mar, 2026 - 19:15 • Isabel Pacheco
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima alerta para a tendência de normalização da violência, sobretudo, entre os mais jovens. Alerta no dia em que é conhecido o Relatório Anual de Segurança Interna.
É o maior número de participações de violação da última década. Segundo dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) divulgados esta terça-feira, o crime de violência sexual aumentou em 2025.
Para a Carla Ferreira, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), estamos perante um fenómeno preocupante a que não é alheio a influência do mundo digital.
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“Perante os dados, teremos aqui uma potencial dupla origem”, considera a responsável, reconhecendo que há uma “maior consciencialização das vítimas e dos seus direitos e daquilo que é a violência propriamente dita”.
Por outro lado, o aumento de casos poderá estar relacionado com “um conjunto de comportamentos que têm sido muito propagados online, e que, de alguma forma, fomentam e incitam à prática de atos violentos e, nomeadamente, no âmbito da violência sexual”, indica Carla Ferreira.
Em 2025, foram reportados 578 crimes de violação em Portugal, uma subida de 6,4% em relação ao ano anterior.
Em contrapartida, segundo o RASI, o número de as participações de violência doméstica desceu pelo terceiro ano consecutivo. Foram registadas 29 644 – menos 1,9% do que em 2024.
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Ainda assim, “estamos a falar apenas sobre a criminalidade que é participada”, lembra a técnica. “Ou seja, não estamos a falar aqui das situações que não são denunciadas, que são certamente muitas, muitas mais”.
Para a APAV, trata-se de um problema que é, também, reflexo da tendência de normalização da violência, sobretudo, entre os mais jovens.
“Já temos ouvido falar a masculinidade tóxica, sobre alguns movimentos nas redes sociais que vão neste sentido de normalização de alguns comportamentos violentos”, aponta a Carla Ferreira, admitindo que isso “influencia certos padrões e comportamentos da nossa sociedade”.
Para contrariar esta tendência, Carla Ferreira alerta para a necessidade de se “investir acerrimamente na dimensão preventiva, mas de uma forma contínua e de uma forma universal”.
“Não podemos ter a população do litoral com mais oportunidades de capacitação e de sensibilização do que, por exemplo, a população do interior”, exemplifica.
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