RASI
Forças policiais registam quase 30 mil participações por violência doméstica em 2025
31 mar, 2026 - 18:08 • Lusa
Relatório refere que, em 31 de dezembro de 2025, havia 1.184 pessoas a cumprir pena nos estabelecimentos prisionais pelo crime de violência doméstica, além de outras 376 pessoas em prisão preventiva.
As forças policiais registaram quase 30 mil participações por violência doméstica em 2025, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), mantendo-se o padrão de maioria de vítimas mulheres e maioria de agressores homens. O número de vítimas mortais aumentou de 22 para 27, no ano passado, adiantou o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
De acordo com o RASI 2025, que foi entregue esta terça-feira no parlamento, no ano passado houve 29.644 participações por violência doméstica, o que representa uma redução de 577 casos (1,9%).
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A tendência de diminuição de participações regista-se desde 2022, ano com um aumento recorde de 15% e com o maior número de queixas registadas desde 2016, com 30.488 casos.
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Do total de denúncias em 2025, a violência doméstica entre cônjuges ou companheiros representou 85,5%, com 25.357 casos, menos 2,2% do que no ano anterior.
A violência doméstica contra crianças registou 1.122 casos, registando-se um aumento de 8,6% face a 2024.
Quem são as vítimas e os agressores?
Relativamente à caracterização dos intervenientes e das ocorrências, o RASI refere que se mantém "o mesmo padrão que vem sendo observado nos últimos anos", registando-se 44.571 vítimas, 69% das quais mulheres, a maioria (70,5%) com 25 anos ou mais.
Em relação aos agressores, os dados mostram que foram denunciadas 41.694 pessoas, 78% das quais homens, quase todos (92,4%) com 25 anos ou mais.
O documento salienta que há registo de 2.988 agressores com idade entre os 16 e os 24 anos e 86 com menos de 16 anos.
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O distrito com mais registos de denúncias é Lisboa, com 7.302; mas é Évora o que regista o maior aumento entre 2024 e 2025 (7,6%), passando de 407 para 438 queixas, enquanto o distrito da Guarda registou a maior quebra (11,6%), baixando de 502 denúncias para 444.
Na análise sobre o grau de parentesco entre vítima e denunciado, "realce para o facto de em mais de 50% dos casos ser uma relação cônjuge/companheiro/a e pais ou padrastos".
Esta contabilização deixa de fora ex-cônjuges, que, a ser tida em conta, aumentaria para 70% o número de casos em contexto de intimidade.
"A relação de namoro regista-se relativamente a 6,4% das vítimas", lê-se no relatório.
De acordo com o RASI, houve 38.749 inquéritos, dos quais foram deduzidas 5.327 acusações, outros 23.836 foram arquivados e para outros 1.886 casos foi decidida suspensão provisória.
O relatório refere também que em 31 de dezembro de 2025 havia 1.184 pessoas a cumprir pena nos estabelecimentos prisionais pelo crime de violência doméstica, além de outras 376 pessoas em prisão preventiva e 335 reclusos a aguardar julgamento, 41 a aguardar trânsito em julgado de decisão proferida e 93 que eram inimputáveis.
No mesmo ano foram detidos 2.669 suspeitos, o que corresponde a mais 267 detidos do que em 2024, sendo que destes "40% foram detidos em flagrante delito".
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