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Dia Nacional do Doente com AVC

Sociedade Portuguesa do AVC alerta para falhas na reabilitação dos doentes no SNS

31 mar, 2026 - 06:35 • Jaime Dantas

A neurologista Diana Aguiar de Sousa alerta que "muitos sobreviventes da AVC vêm a reportar a longo prazo uma dificuldade" no acesso a tratamentos de reabilitação como "fisioterapia, terapia da fala, a terapia da deglutição, terapia ocupacional".

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A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral alerta, esta terça-feira, para as falhas no acesso a terapias de reabilitação dos doentes, uma vez que este tipo de cuidados são "limitados" no Serviço Nacional de Saúde.

À Renascença, a neurologista Diana Aguiar de Sousa explica que tratamentos de reabilitação como "fisioterapia, terapia da fala, a terapia da deglutição, terapia ocupacional", entre outras, têm "um grande impacto" na recuperação funcional dos doentes e são essenciais, ou mesmo determinantes numa fase inicial.

Este tipo de tratamentos "está disponível na maior parte das unidades da AVC na fase inicial", mas "muitos sobreviventes da AVC vêm a reportar a longo prazo uma dificuldade no acesso à reabilitação", aponta a especialista.

"O doente depois tem alta para uma instituição de reabilitação, mas muitas vezes existe algum atraso na referenciação, na disponibilidade de vaga nestes centros de reabilitação, e depois de ter alta destes centros de reabilitação, efetivamente as disponibilidades dadas pelo Serviço Nacional de Saúde são frequentemente limitadas", explica.

Diana Aguiar de Sousa sublinha que os doentes "podem permanecer com sequelas" durante o resto da sua vida e que por isso "a intervenção a longo prazo tem um impacto importante".

O AVC não é uma doença de velhos

A neurologista sublinha ainda que, ainda que o Acidente Vascular Cerebral afete principalmente doentes com mais de 65 anos, os jovens já "constituem cerca de 20%" dos casos.

"Esta tendência ainda não é muito explicada, mas pensa-se que uma das razões sejam, pelo menos numa proporção substancial dos casos, fatores de risco clássicos", diz.

Estes fatores de risco são a, hipertensão arterial, tabagismo, colesterol, diabetes, obesidade, e o sedentarismo", elenca a clínica.

Os impactos não se ficam apenas pela qualidade de vida de quem sofre com a doença, mas também na economia, uma vez que estes jovens "estão em idade ativa".

Não há estudos do impacto em Portugal, mas "há estudos internacionais onde são calculados os anos de vida perdidos, os anos de vida com incapacidade" que indicam prejuízos para o crescimento dos países.

"O número de anos em que a incapacidade se vai manifestar é mais prolongada, portanto do ponto de vista de impacto económico há um impacto. Tudo o que possamos fazer para prevenir e também no tratamento de fase aguda é altamente custo-efetivo", remata.

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