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Inteligência Artificial: Maioria dos jornalistas usa, mas teme efeitos negativos

02 abr, 2026 - 03:30 • Lusa

Mais de metade dos jornalistas inquiridos confessa utilizar mecanismos de Inteligência Artificial para traduções e transcrições, nomeadamente de entrevistas, revela estudo da OberCom e do CENJOR.

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Um relatório do Observatório da Comunicação (OberCom) e do CENJOR conclui que uma maioria de jornalistas já utiliza Inteligência Artificial (IA), mas muitos receiam efeitos negativos na confiança no jornalismo e no emprego.

Cerca de 70% dos jornalistas que responderam ao questionário afirmaram ter usado a IA generativa nos últimos seis meses, um terço utiliza-a diariamente e 38% temem a perda progressiva de competências jornalísticas tradicionais, segundo o relatório "Inteligência Artificial e Jornalismo, práticas e formação em Portugal".

O relatório, da autoria de investigadores do OberCom e feito em colaboração com o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), com o apoio do Sindicato dos Jornalistas, partiu de um questionário "online" aos jornalistas a exercer atividade em Portugal e será publicado pelo IBERIFIER, Observatório Ibérico de Média Digitais de Portugal e Espanha.

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O objetivo era compreender como os jornalistas avaliam a "integração de ferramentas de IA nas práticas jornalísticas nas redações em Portugal" e identificar "o que tem sido feito ao nível da formação nesta área".

As principais conclusões apontam para uma tendência clara: a IA "tem contribuído para aumentar a produtividade nas redações" e foi essa a resposta dada por mais de 70% dos inquiridos.

Segundo o estudo, oito em cada 10 jornalistas referiram usar a IA para pesquisa e mais de metade refere ter sido para traduções (57,8%) e transcrições, nomeadamente de entrevistas (53,3%).

Estes números, segundo os investigadores, comprovam a "tendência para esta tecnologia ser usada de modo complementar ao trabalho do jornalista", como traduções e transcrições de entrevistas, que permitem ao jornalista "ganhar tempo" e possibilitar-lhe "um maior foco na interpretação e escrita de conteúdo jornalístico".

Os investigadores concluem ainda que existe "uma tensão entre a adoção da IA e das suas ferramentas nas redações e as incertezas relativamente ao seu impacto no jornalismo".

E adiantam que essa desconfiança pode ser explicada pelo facto de os jornalistas que responderam ao inquérito insistirem "na necessidade de maior formação ética e profissional".

"Deduz-se nesta análise a constatação de uma certa "questionação existencial" dentro da profissão", alertam, "associada ao impacto da IA não só no jornalismo propriamente dito, mas também em estruturas sociais mais amplas, como sejam os mercados de trabalho".

As plataformas mais utilizadas, de acordo com o relatório, são o Chatgpt (66%), Gemini (35%), Copilot (27%) e Perplexity (22%).

A coordenação científica do relatório coube aos investigadores Pedro Caldeira Pais, Miguel Crespo, Paulo Couraceiro, Ana Pinto-Martinho, Miguel Paisana, António Vasconcelos, Gustavo Cardoso e Vania Baldi.

O IBERIFIER é um projeto ibérico que visa combater a desinformação e integra mais de vinte centros de investigações e universidades, as duas agências de notícias de Portugal e Espanha (Lusa e EFE) e "fact-checkers".

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