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Saúde

Atividade hospitalar recupera e atinge máximos históricos após pandemia

06 abr, 2026 - 16:25 • Olímpia Mairos

Dados do INE mostram aumento de consultas, cirurgias e exames em 2024, com atividade hospitalar a superar níveis pré-pandemia.

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A atividade hospitalar em Portugal continua a recuperar dos efeitos da pandemia, tendo atingido em 2024 níveis recorde em várias áreas, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) por ocasião do Dia Mundial da Saúde, que se assinala terça-feira.

As consultas médicas, as cirurgias em bloco operatório e os atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica registaram, em 2024, os valores máximos da série iniciada em 1999”, refere o INE.

Os números mostram uma retoma significativa da atividade assistencial, depois da quebra registada durante o período pandémico. Em particular, "em 2024, o número de internamentos ultrapassou, pela primeira vez, o valor observado em 2019”, destaca o relatório.

Mais consultas, cirurgias e exames

De acordo com os dados, foram realizadas 23,9 milhões de consultas médicas hospitalares em 2024, um aumento de 4,5% face ao ano anterior, atingindo um novo máximo histórico.

Também as cirurgias registaram um crescimento significativo. “Foram realizadas 1,3 milhões de cirurgias em bloco operatório, o número mais elevado desde 1999”, refere o INE.

No mesmo período, os hospitais realizaram mais de 230 milhões de atos complementares de diagnóstico e terapêutica, um aumento de 9,5% em relação a 2023.

Urgências ainda abaixo de níveis pré-pandemia

Apesar da recuperação generalizada, os serviços de urgência ainda não regressaram totalmente aos níveis anteriores à pandemia.

O número de atendimentos em serviço de urgência permaneceu ligeiramente abaixo da atividade registada em 2019”, indica o relatório.

Ainda assim, em 2024 foram registados cerca de 8,2 milhões de atendimentos, refletindo uma tendência de recuperação desde 2021.

Setor público continua dominante

Os hospitais públicos e em parceria público-privada continuam a assegurar a maior parte da atividade hospitalar em Portugal.

Segundo o INE, estes estabelecimentos foram responsáveis por 79,9% dos atendimentos em urgência, 73,5% das cirurgias e 73,0% dos internamentos.

No entanto, o setor privado tem vindo a ganhar peso, sobretudo nas consultas externas, onde já representa 37,6% do total.

Mais hospitais privados e ligeiro aumento de camas

O número de hospitais privados continua a crescer. Em 2024, existiam 131 unidades privadas, mais 29 do que em 2010, consolidando a sua predominância numérica no sistema de saúde.

No total, Portugal dispunha de 35,4 mil camas hospitalares, um ligeiro aumento face ao ano anterior.

Óbitos aumentam ligeiramente, com doenças cardiovasculares e cancro a liderar

Em 2024, registaram-se 119.046 mortes em Portugal, um aumento de 0,1% face ao ano anterior, incluindo 650 óbitos de residentes no estrangeiro.

De acordo com os dados, a maioria das mortes (95,2%) teve origem em causas naturais, sendo os restantes casos atribuídos a fatores como acidentes, suicídios ou homicídios. Cerca de 64,8% dos óbitos ocorreram em hospitais ou clínicas.

As doenças do aparelho circulatório mantiveram-se como a principal causa de morte, representando 25,4% do total, valor idêntico ao de 2023. Seguem-se os tumores malignos, responsáveis por 23,8% dos óbitos.

Relativamente à mortalidade infantil, foram registadas 257 mortes de crianças com menos de um ano, mais 39 do que no ano anterior. Destas, 62,3% ocorreram no período neonatal, ou seja, nos primeiros 28 dias de vida.

Segundo o INE, as principais causas de morte infantil foram afeções perinatais, malformações congénitas do coração e problemas respiratórios do recém-nascido, que, em conjunto, representaram 33,1% dos óbitos neste grupo etário.

Número de medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico aumentou

O número de medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico em Portugal voltou a crescer em 2024, acompanhando também o aumento do número de apresentações disponíveis.

Segundo os dados mais recentes, existiam 9.063 medicamentos (marcas) no mercado, mais 40 do que em 2023. Já o número de apresentações farmacêuticas subiu de 49.044 para 49.555.

No mesmo ano, estavam em atividade 2.921 farmácias e 202 postos farmacêuticos móveis, o que representa um ligeiro aumento face ao ano anterior. Em média, existiam cerca de 29 estabelecimentos farmacêuticos por 100 mil habitantes.

Quanto à comparticipação, 40% dos medicamentos e 17,9% das apresentações eram comparticipados. A maior parte destas comparticipações concentrou-se em dois grupos: o sistema nervoso central (31,6%) e o aparelho cardiovascular (28,0%), que juntos representam quase 60% do total.

SNS continua a ser principal financiador da saúde

Entre 2022 e 2024, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e os serviços regionais de saúde mantiveram-se como os principais financiadores da despesa corrente em saúde, assegurando, em média, 54,9% do total.

As famílias continuaram a suportar uma fatia significativa dos encargos, com 28,9% da despesa, embora se tenha registado uma ligeira diminuição do seu peso relativo, que passou para 28,2% em 2024.

Por outro lado, aumentou o contributo das seguradoras, refletindo uma mudança gradual na estrutura de financiamento do sistema de saúde em Portugal.

Sinais positivos, mas desafios persistem

Apesar dos sinais de recuperação, os dados apontam para desafios estruturais, nomeadamente ao nível da pressão sobre os serviços e da evolução da saúde da população.

O relatório indica ainda que 23,8% da população com 16 ou mais anos reporta limitações nas atividades diárias devido a problemas de saúde, enquanto os níveis de ansiedade têm vindo a aumentar.

Os dados agora divulgados confirmam uma recuperação da atividade hospitalar, mas também evidenciam a necessidade de responder a novas pressões sobre o sistema de saúde em Portugal.

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