Cidadãos Auto-Mobilizados
Número de mortes na Páscoa "não surpreende"
06 abr, 2026 - 12:58 • Jaime Dantas
Manuel João Ramos diz que por detrás da elevada mortalidade durante a operação de Páscoa da PSP e GNR está a inexistência de uma "política de segurança rodoviária em Portugal".
O presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, Manuel João Ramos, diz que o balanço da operação Páscoa nas estradas “não surpreende”, ainda que o registo "envergonhe".
“O país está em roda livre em termos de segurança rodoviária e isso implica que a velocidade aumente e que os comportamentos de infração também aumentem. Não há qualquer visão política para mitigar uma situação que é próxima do desastroso. Estamos praticamente com os piores indicadores da Europa”, diz Manuel João Ramos à Renascença.
De acordo com os comunicados divulgados esta segunda-feira pela PSP e pela GNR, 18 pessoas morreram e quase 800 ficaram feridas, 47 delas com gravidade.
O responsável associativo sublinha ainda que "não vale a pena criar a ideia de que os portugueses têm uma cultura inerente de violência rodoviária" e reforça que é nas condições das estradas que reside o problema.
“O condutor português age conforme o ambiente em que está: se é colocado em Espanha, comporta-se como um condutor espanhol; se é colocado na Suécia, comporta-se como um condutor sueco. Se o ambiente rodoviário é mau e caracterizado por falta de fiscalização e de qualidade, a resposta será sempre a da possibilidade de infração”, diz o presidente da ACAM.
Operação da PSP e GNR
Domingo de Páscoa sem vítimas mortais nas estradas portuguesas
Mantém-se o registo de 18 mortes, 47 feridos grave(...)
Vídeo do primeiro-ministro “descredibiliza” o Governo
Já em relação à mais recente polémica a envolver o primeiro-ministro — que publicou um vídeo para celebrar os dois anos de governação a bordo da viatura oficial, sem cinto de segurança, num dia em que o ministério da Administração Interna tinha apelado à condução segura perante a elevada mortalidade nas estradas — Manuel João Ramos reafirma que nada disto é novo e demonstra "a sensação de impunidade dos políticos portugueses".
"Evidentemente que este caso é apenas mais uma manifestação de total falta de credibilidade", diz.
O presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados recorda, ainda, que não é a primeira vez que titulares de cargos públicos infringem a lei rodoviária.
“A nossa associação tem sido assistente em processos em tribunal para alertar precisamente para o problema da impunidade da classe política ao volante: Manuel Pinho, em 2006; Mário Mendes, ex-inspetor-geral da Administração Interna, em 2009; Eduardo Cabrita; e António Costa, a circular a 200 km/h na A2”, recorda.
Manuel João Ramos termina apelando à resolução “do problema da impunidade e do comportamento antissocial dos políticos”.
“Se não for reconhecido, não haverá solução”, conclui.
- Noticiário das 3h
- 14 abr, 2026








